quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009



"Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira".

dezembro

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a chuva hoje cai mais forte. Nem consigo mais ver a cor do céu. Janelas fechadas. Ruas vazias. Faltam dois dias para uma nova contagem de tempo. 2009. Sim. A chuva hoje cai bem mais forte. E não há tanta essa vontade de sair pelas ruas. Não agora. Não sozinha. Não sem ela. Mas ainda assim. Eu respiro com dor e Felicidade. Por tê-la aqui. Aconchegada. Bem cuidada. Nas minhas memórias e (nossa!) tão pulsante no meu presente. O ano vai começar. E sim. Ela está no meu presente. Este presente que se renova à cada dia. Se transforma. Se recarrega. Precisava ver os olhos de uma velhinha que passou na rua, mesmo com tanta chuva, e me fez querer ter a coragem de párar de chorar. E por quê não? Mais um sorriso para justificar tanta alegria compartilhada? E por quê não agradecer por tudo e por tanto? E por quê não abrir a janela e desejar que essa chuva passe e que as escolhas (essas que fazem doer) sejam iluminadas para fazê-la tão imensamente feliz como ela me fez?

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

amor e família

Espero um dia você chegar e nos encontrar aqui. Sempre é bom ver você chegar. Casa cheia. Cozinha em movimento. Você sempre inventa coisas novas pra fazer. Tenho dormido tarde. Acordado cedo. O som daqui de casa agora é outro. O quarto é outro. Lembra a minha infância. O burburinho do jogo de baralho e o tira gosto preparado pela mãe. Você ainda gosta disso, não é pai? Aquela fase me lembra alegria. Como os dias de hoje. Há um reencontro aqui, percebe? Acho que demorei a descobrir porque, nossa(!) faltou-me um pouco da pureza de criança. Aquela percepção legítima daquela época. Tudo era tão simples e bom. O único medo era cessado por um abraço seu. Ou o colo da mãe. Ou mais um abraço apertado da vó. Memórias infantis. E hoje permaneço aqui, ao lado da sala, sem contar pra mim nem pra você que estou à espera de novos encontros. Cheia de histórias pra contar. Mesmo que eu me recue um pouco. Medo. Medo de não poder dividir tudo o que tenho. Medo de não escolher as melhores cores. Ou a melhor forma de passar os meus dias. Espero um dia você chegar e nos encontrar aqui. Quem sabe um sorriso pra dizer que, sim, está tudo bem?! Escolhemos sempre o que é melhor pra gente? Hoje minha escolha é ficar aqui ao seu lado. Acompanhar de perto o movimento do sorriso da minha mãe. Tentar entender melhor o ritmo do coração da minha irmã. Porque somos só nós mesmos. E não há muito mais que isso. Mas ainda assim, há um mundo contruído aqui (lá) fora. E, sim, seria tão bom ter a certeza de que fiz as melhores escolhas. Seria tão bom que parasse de chover. Seria tão bom se você chegasse e nos encontrasse aqui. E olhasse com a mesma doçura pra tudo o que eu escolhi e é importante pra mim.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

solidão


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Quando criança não vivia sem a minha boneca. Não podia perdê-la de vista. Não brincava, não almoçava, nem jantava sem tê-la por perto. Quando ia dormir, não deitava sem primeiro acomodá-la ao meu lado.

Cresci. E hoje eu percebo que, desde pequena, procurava companhia. Procurava colo, aconchego, estar-ter e cuidar de alguém. Agora, percebo-me sozinha. Absolutamente. Estranhamente – estranhando essa minha percepção. Minha boneca? Está guardada dentro de uma caixa dourada, amarrada com os laços grandes de uma fita vermelha. Está num cantinho do meu armário. Minha boneca: de pano, com seus quase 18 anos – e de face bonita e encardida. Revela-me só agora – Meu Deus! – um sorriso melancólico e estático, que não sustenta mais a minha solidão. A solidão dos meus 21 anos.

E continuo o meu caminho – o de todos nós: só.
Continuo. Sem minha boneca desta vez. Apenas sozinha – pacientemente e eternamente. E são somente meus: os seus sonhos, meu medo, meu amor e a minha paixão. Dividi-los com uma boneca de pano? Talvez. Mas ela poderia – apenas – me escutar. E escutaria?

os outros 4


Os outros 4 from tamás Bodolay on Vimeo.

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Pessoas circulam pela cidade e experimentam novas sensações.

Um vídeo de Mariana Coutinho, Bianca Spósito e Tamás Bodolay.
Edição de Tamás Bodolay

deixe me leve

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como traduzir esse coração?
como transgredir a sua essência?
passar desapercebida pela sua presença?
esquecer-me de tudo na sua ausência?

sua chegada
paralisa
dilata a minha paixão

sua presença
ronda-rodeia
ameaça ficar

como traduzir seu signo
os sinais do seu olhar?
O objetivo do seu corpo? - esse falar
calar?

como conhecer o objeto do seu coração?
por favor, faço não
revele-me essa tradução

não deixe rastros - embaraços
para derrubar meu coração

deixe em paz
fique - leve

entregue-me a solução
dê-me o seu coração

faça sim. assim. faça não
mas deixe leve. deixe-me-leve
fique leve

e revele-me a sua interpretação
do seu - e do meu coração.


Bhte, 10 de fevereiro de 2003
10:44h

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

bobagem

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"Minha beleza não é efêmera
Como o que eu vejo
Em bancas por aí
Minha natureza
É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir...

Bobagem pouca
Besteira
Recíproca nula
A gente espera
Mero incidente
Corriqueiro
Ser mulher
A vida inteira..."

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

aparentemente




Amanhece mais um dia. A rua está vazia e parece um cenário da vida real. Os personagens surgem aos poucos e tudo acontece como os olhos já estão acostumados a observar. O silêncio é quebrado pelos primeiros movimentos da vida cotidiana dos moradores em seus apartamentos. Há um prédio residencial antigo... vários porteiros... as lojas: de aviamentos, revistas, chocolates, cadeiras de roda, sapatos, jóias, computadores, padaria, salão de beleza e papelaria. Os funcionários dos prédios e os donos das lojas acordam mais cedo para reafirmar que, naquela rua da capital mineira, está tudo em seu devido lugar. As portas da rua estão sendo abertas. É de manhã e tudo acontece, aparentemente, da mesma forma. Aparentemente: o mesmo andamento dos carros, os jornais sendo entregues à banca de revistas, a mesma melodia do encontro de diversos sons incessantes, o ritmo apressado das pessoas, a pulsação lenta e contraditória do andar dos idosos, a espera paciente e lenta das manicures por seus fregueses. O falar gritado e agudo da faxineira do prédio, o cochicho entre os donos de lojas, o bom humor fabricado pela pré-disposição do dono da mercearia.

Tudo acontece da mesma forma. Aparentemente. Crianças saindo e chegando das escolas, mães à procura de um consolo maior para os filhos, lavadores de carros trabalhando, adolescentes matando aula no bar da esquina. Os acontecimentos são fiéis aos olhares cotidianos. Olhar sem pausa para uma vida que segue na mesma pulsação. Olhar sem pausa. Olhar sem pressa. Olhar acostumado e contaminado. E as luzes do dia também são fiéis ao costume e à espera desses mesmos olhares. Luzes que anunciam, sempre da mesma forma, a chegada ritmada da manhã, o sol forte do meio dia, a lentidão do entardecer e o sossego da noite.

Para os olhares que criam um distanciamento, e conseguem observar o cenário daquela rua em seu silêncio, ficarão, inicialmente, as imagens construídas e sempre resgatas pelas pessoas dali. Imagens que oferecem a sensação de que tudo acontece da mesma forma. Aparentemente. Mas, no silêncio daquela rua, pode-se escutar um segundo ritmo do coração daquelas pessoas. São os seus sonhos, que nunca acontecem da mesma forma. Ritmo diferenciado de corações, muitas vezes, descompassados num apego ou desprendimento.

Tudo acontece da mesma forma. Aparentemente. Esses olhares sem pausa e sem pressa observam apenas – e pacientemente – a mesma aparência da vida cotidiana em uma só pulsação. Já o olhar em silêncio, é capaz de observar os sonhos e as modificações, e é sensível a novos ritmos e melodias. Um olhar que vai além da escuta corriqueira daquela rua, que consegue observar os movimentos suaves e as coisas invisíveis. Tudo acontece da mesma forma. Aparentemente. Mas basta uma sutil transformação do cenário: a falta de um personagem, a mudança do horário ou a alteração do ritmo de um sonho, que o olhar silencioso, esse que existe no centro da gente, torna-se sensível ao vazio intangível a qualquer forma acomodada, sem pausa e apressada de levar a vida.

amor de menina

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antes - durante - e depois de ter você
(meados de 2003)


antes eu dormia - apenas
hoje não mais
hoje eu espero
observo o silêncio
escuto o vazio
guardo o escuro
dentro
e fora
de mim

e me apago

anulo meu inconsciente
minha mente desmente
a sua presença
na minha noite

antes eu dormia - apenas
era tão fácil
e tão superficial
entrava numa dimensão
desconhecida do quarto
e no obscuro cansaço
do meus sonhos

com você na minha vida
eu aguardava a hora
de dormir
alimentava - te escutava
você estava

hoje - sozinha
eu vejo a parte escura
do dia chegar
e me encontro inteira
em todas as dimensões
palpáveis do meu quarto
já conhecidas por mim

demoro para adormecer
sinto o vazio
por ter
e não ter
você

hoje eu não durmo apenas - mais
hoje aguardo
escuto
observo
dentro
e fora
de mim

penso

sinto esse vão tangível
ardendo aqui dentro

só depois adormeço
e transporto para
meu despertar
a mesma saudade
de estar e não esperar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008

inteira

Sendo completa com você.
Ao sair
me esqueci de que sou inteira.

Deixar cortar e aceitar a dor é o que faz desta experiência o meu maior desafio. Respiro a cada segundo um pedido de pausa e companhia. Saber desta solidão diária é o que torna tudo opaco. A minha solidão escolhida. Respeitada. Aconchegada.

Olho cada parte de mim a procura de um futuro próximo.
Frases e sonhos foram descontruídos e deixados de lado.
Mas o amor está ali. Inteiro. Pulsante.
Sempre desconfiei e afirmei que seria um paradoxo amar você.

Com esses sonhos foram metade de mim
e entao
foi assim
que me esqueci
"sou inteira"
dentro de mim!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

acaso

vejo de perto a vida que eu poderia ter estampada numa página de revista. Fotos recortadas do perfil que eu poderia ser. Qual é a combinação certa para o futuro do meu presente? Coloco as chaves nas portas para ver o mesmo espaço ilimitado do meu trabalho. Sempre. Todos os dias. No mesmo horário. Não me encaixo em regras. Em costumes diários. Olho o horizonte à procura de criação. Decido então vendar meus olhos à procura de outros sentidos. Fico triste. Procuro ação. Procuro um outro lugar para reiventar-me. Olho pra frente tentando alcançar aquela vez. Não quero muito mais que isso. Só quero apenas poder criar de uma outra forma. Fazer exatamente o que gosto e sei fazer. Procuro as chaves. Tento enxergar daqui a estrada. Eu sei bem para onde quero ir.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

presente!

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Temos planos. Projetos de vida. De verão. Sonhos. Programamos o nosso dia. Nosso sono. A hora do cinema. Passeios pela tarde. Criamos e recriamos os nomes dos nossos filhos. Entendemos mais tarde como se dá o pensamento dos nossos pais. Esperamos a festa. Procuramos trabalho. Escondemos no dia de sol. Agradecemos o dia de chuva. E seguimos. Sem muito saber o que vem adiante. Mas ainda assim criamos, fazemos e participamos de regras, contratos, fórmulas e segredos. Senão não somos o que somos. Quem somos(!)? Só assim seguimos. E por mais que tenhamos essa vontade – essa, de estabelecer o que vem a seguir – estamos todos constantemente sujeitos à legitimidade do fenômeno único (e para sempre inédito) da vida, que é o presente. Sim, escolhemos o nosso caminho. A continuidade e a dedicação diante da vida fazem parte da escolha. Já o percurso, os encontros, a forma e o tempo é que não são escolhidos – esses são presentes!

desato

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Palmas para o olhar acostumado diante do mundo. Levanto-me para aplaudir suas crenças. Seus valores pré-determinados. Não adianta tentar me vender sua felicidade enlatada. Conservada. Apalpada. Aquela que funciona à primeira vista e serve aos comuns. Transbordo-me em querências. Opto pelo simples. Não determino meus desejos. Não escolho por gêneros. Olho pra tudo com a mesma vontade. E não preciso ficar sozinha porque meus sonhos não cabem nos seus. Repito. Assino embaixo. Calo-me por não ser mais forte. Mas afirmo em silêncio essa vontade de ser igual pra você, e maior que metade de mim.

Não queria que fosse assim. Minha vida não é você que escolhe pra mim.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

desejo

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ela, cheia de vontades

espera (paciente e silenciosamente) o dia



















da vontade passar
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quinta-feira, 24 de julho de 2008

era uma vez



“A primeira linha que escrevi sobre esse roteiro, eu me lembro muito bem, era assim: um garoto que apesar de tudo dar errado em sua vida, ele quer ser bom. Acho que isso é fiel ao filme”.

Essa foi a primeira frase do roteiro que Breno Silveira escreveu há quase dez anos. A história do longa “Era uma vez” também foi seu primeiro texto para o cinema. Mas foi só depois de lançar seu primeiro longa-metragem, “Dois Filhos de Francisco”, que Breno enfim dirigiu a história que tanto queria contar.

No filme Thiago Martins vive o personagem Dé, aquele menino bom das primeiras linhas do roteiro de Breno. O ator não é muito diferente do personagem. Assim como Thiago, o personagem Dé é um garoto nascido e criado no morro e que apesar de todas as dificuldades, mantém uma postura corajosa e correta diante da vida.

Lá de cima do morro ele pode ver bem de perto um dos lugares mais lindos da cidade do Rio de Janeiro. Um lugar próximo e ao mesmo tempo tão distante do universo das favelas. Duas cidades que ficam lado a lado, com sonhos e formas diferentes de encarar a vida.

Neste lugar o protagonista vive uma história de amor e cumplicidade com sua família. Você percebe então, logo no início, que a história de amor a ser contada se faz presente entre quase todos os personagens.

Mas para falar da distância entre as pessoas, “Era uma vez” conta a história que Dé vive com Nina. Uma garota rica que mora bem perto de onde ele trabalha. Os olhos de Dé alcançam seus movimentos e sua rotina. E basta apenas um primeiro encontro para os dois se apaixonarem. Mas como fazer isso dentro uma realidade tão dura? Breno Silveira responde que a melhor forma foi optar pela fábula. Ele procurava liberdade para fazer um filme que pudesse emocionar o público.

Para levantar questões e viver essa história, o diretor escolheu atores que de alguma forma se identificassem com o trabalho a ser feito. A atriz Vitória Frate foi a escolhida para viver Nina, sua primeira personagem de um longa-metragem. Para viver Carlão, o irmão mais velho de Dé, Breno escolheu Rocco Pitanga. Com uma atuação primorosa, o ator se modificou durante toda a trama. Já a escolha de Thiago Martins para fazer Dé não foi assim tão fácil. Depois de muitos testes, o ator teve que esperar quase um ano para ser aprovado.

Quem quiser conferir o resultado, o filme estréia essa semana em todo o Brasil. E pode ter certeza, você corre um grande risco de se apaixonar e passar a olhar de uma forma diferente para cada um desses personagens.

www.cinemagazine.com.br

sexta-feira, 18 de julho de 2008

potência

. . olhamos para tudo com olhos de risco. E é dentro desse limiar que construímos a nossa história.

grande amor

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Na verdade não precisa ser grande. Precisa ser exatamente do tamanho que é. Nem ideal precisa ser. Precisa ter entendimento. Precisa ser um tanto generoso. Aquele amor que anda em passos compassados - no mesmo ritmo do nosso coração. Aquele que espera a porta do elevador abrir para te encher de beijos. Beijos que nunca ficam escassos. Gosto bom. Chocolate. Aquele que te olha do outro lado da chama da fogueira. Chega de mansinho. Tá vendo? De novo a paixão acontece. Mas não precisa ser assim, não. Não precisar ser grande nem pequeno. Tem que ter o mesmo tamanho do nosso desejo. A mesma cor do nosso sonho. Andar com os pés descalços na terra. Acordar a qualquer hora da manhã ou do dia. Amor é só assim? Tem que ser e pronto. Amor que perdoa. Amor que não acaba. Amor que fere, mas só se for sem querer. Amor que fica pra sempre. Que pode fazer até doer. Mas um amor que tenha coragem. Que possa falar baixinho. Que possa olhar e dizer pro mundo. Amor que te pegue pela cintura. Que te coloque no ar. Qualquer amor que seja. Mas amor de verdade. E não aquele que você sonhou e acreditou que seria. Porque este. Este que é agora, mas não foi. Ele aperta. Sufoca. Te cobra expectativas frustradas. E não te deixa mais ir embora. Afinal, nosso coração ainda procura aquele amor que não precisa ser grande, mas enfim que seja o único: esse sim será pra sempre com potência legítima para ser. Porque esse sim, ele já é.

terça-feira, 15 de julho de 2008

avesso

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troco os horários. escolho o contrário da via.
acordo antes da hora. não suporto a realidade.
me viro. troco meus sonhos pelo sono.
adormeço assim. pelo avesso me despeço de mim.

na hora de chegar, saio.
quando todos buscam o ar da madrugada, durmo.
trabalho durante o dia de sol. não leio as bulas dos remédios.
submeto-me. transformo. transgrido. fico quieta.
nesse paradoxo há muito e nada de mim.
grito. sempre em silêncio.

às vezes troco a noite pela tarde.
estudo olhando para o céu.
vejo o mundo olhando para dentro de mim.
esqueci-me das regras. funciono apenas com horários
para que eu possa enfrentar. cumprir. me desorganizar.

sigo pelo lado contrário da via.
faço um desenho com minha história.
cumpro meus anos de acordo com a pulsação da ordem
do olhar
diante do mundo.
troco meus horários. confundo meu coração.
amo quem eu jamais deveria escutar.
misturo meus verbos, meu quero e minha invenção.
aprendo com os anos, com saltos e minha dispersão.
entendo com a dor. com a cor. e com minha paixão.

durmo com a pulsação da música lá fora.
escureço o quarto, a ação, e aqui dentro
dentro de mim
e do avesso do desejo
do meu coração.
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texto de uma revista

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"E eis que a esquina como um ponto mágico um dia se perdeu. Tento lembrar se houve uma última vez, um último encontro. Não, não houve. É como se um dia tivéssemos combinado nos encontrar no dia seguinte na esquina e, por alguma razão insondável, simplesmente não tivéssemos comparecido. Melhor assim. Imagino, olhando para trás, como teria sido dura uma despedida de nós e de nossa esquina, um dia tão amada como a mais amada das namoradas. Ninguém se despede da inocência sem tristeza e dor. E então me ocorre que por um momento eu pudesse voltar a ser garoto correria à esquina e diria a meus amigos: “Amo vocês. Obrigada por tantas coisas boas”. Eles com certeza achariam ridículo, e ririam de minha declaração de amor, e eu também. Mas, deus, como nos amávamos. Nós não nos despedimos. Apenas um dia deixamos de aparecer naquela esquina em que cabia o mundo, e à qual às vezes volto, na imaginação e na saudade, em noites frias e escuras na busca do calor e da luz que a mera lembrança dos meus amigos traz".

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contato

Mariana Coutinho Borges Gomes :: DRT 7484/MG :: VGI AGENTES/VIVIAN GOLOMBEK :: (11) 8215 3696 :: (11) 3864 8188 E-MAIL: marianaa.coutinho@hotmail.com

terça-feira, 24 de junho de 2008