segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
entre palavras
Estrada. Chuva. Esquina. Mirante. Lama. Céu azul. Montanha. Queda. Suco. Água. Guardanapo. Pai. Computador. Cabelos enrolados. Carro. Abraço. Presente. Carona. Trabalho. Ligação. Telefone ocupado. Retrato. Abridor de lata. Vinho. Estrada de terra. Morro. Trilha. Belo Horizonte. Filme. Namoro. Barba. Jantar. Chinelo. Dálmata. Nascimento. Bebê. Olhos. Olhos. Tempo. Mãe. Francês. Praia. Rio de Janeiro. Encontro. Reencontro. Arpoador. Massagem. Promessa. Decisão. Tiradentes. Peça. Vela. Tomada. Viagem. Amigos. Chave de casa. Respiração. Mel. Réveillon. Serra do Cipó. Dona Mercês. Saudade. Vida. Salto. Índia. Distância. Alma gêmea. Escrita. Rascunho. Cura. Massagem. Incenso. Companhia. Anel. Dança. Improvisação. Rabiscos. Sono compartilhado. Ar condicionado. Farolete. Trevo. Pedra da Gávea. Cinema. Clássicos. Tomada queimada. Tapete molhado. Pés. Descalços. Sapato apertado. Salto alto. Falta. Dor. Pele macia. Gesto delicado. Mãos de homem. Mãos de mulher. Olhos dele. Boca dela. Palavras ditas. Carência. Espera. Ipê amarelo. Pôquer. Compras. Risada da Sara. Aula da Ana Kfuri. Sala Tom Jobim. Gadú. Tecido acrobático. Prainha. Arpoador à meia noite. Cenário. Velas. Tinta azul. Tinta vermelha. Olhos da Van. Deck de madeira. Gelo. Frio. Vida. Vana. Casa. Parede azul do quarto. Email. Parede vermelha. Rede. Varanda. Sol. Calor. Santa Tereza. Site. São Paulo. Metrô. Estação Paraíso. São Clemente. Botafogo. Luz. Cabelo raspado. Cabelo amarrado. Operação. Sapateado. Canção. Naruna. Apartamentos. Vila do Pan. Câmera. Desapresentação. Novariná. Parque Lage. Julieta. Contato improvisação. Possani. Rádio. Sauna. Academia. Colo. Língua. Carne. Natal. Sexualidade. Fraqueza. Estar só. Amor platônico. Estupidez. Chico Buarque. Lixo reciclável. Obama. Pina Bausch. Paris. África. Estética. Sophie Calle. Zé Celso. Término. Publicidade. Portaria 4. Estúdio C. Macacos. Caratinga. Mãe. Marina. Histórias de ninar. Mostra de Cinema. Telefone ocupado. Datilografia. Queimadura. Mergulho. Prado. Trindade. Paraty. Pernambuco. Amor. Namoro. Vômito. Mentira. Medo. Público. Falsidade. Inocência. Morte. Suicídio. Abandono. Flor. Engarrafamento. Brisa. Ar úmido. Passarela. Viaduto. Cores. Paixão. Suco de laranja. Lilás. Desejo. Pão. Tempestade. Verde. Manjericão. Lua. Gal Costa. Salada. Jornal. Jornalismo. Maldade. Malabarismo. Mal educado. Pôr do sol. Janeiro. Telefone sem fio. Email. Resposta. Carta. Cartão. Gadú. Lounge. Chegada. Espera.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
escolhas
Algumas pessoas optam por ajeitar a vida. Adequar. Organizar. Atender às regras. Outras pessoas optam simplesmente e honestamente: viver. É só neste lugar que eu me reconheço.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
vento
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
dor do mundo
O mundo sente dor. Isso é fato comprovado e nada pessimista. Não, não, não é não! Cada um de vocês sentados aí comprova a dor do mundo. Mas se há dor......................................................... há prazer!
Outro dia eu estava dormindo num quarto, sozinha, em São Paulo. Eu não conheço quase nada em São Paulo! Eram mais ou menos seis horas da manhã do dia sete de dezembro de 2009. Chuva. Um gato sentia dor.
Dor pode ser qualquer coisa. Uma queda. A perda de um grande amor. Falta de dinheiro. Paralisia. Frio. Saudade. Carregar uma mochila de sete quilos durante horas. Desamparo. Sapatos apertados. Susto. Abandono.
A dor do gato me acordou.
A menina que dormia no quarto ao lado abriu a janela e gritou:
- Cala a boca!
Olhou para mim e perguntou por que eu não fazia o mesmo.
Eu? Sai do quarto à procura do gato. Da dor do gato. Debaixo de chuva.
Não o encontrei. Naquela hora tudo o que eu queria era diminuir a dor do mundo.
Outro dia eu estava dormindo num quarto, sozinha, em São Paulo. Eu não conheço quase nada em São Paulo! Eram mais ou menos seis horas da manhã do dia sete de dezembro de 2009. Chuva. Um gato sentia dor.
Dor pode ser qualquer coisa. Uma queda. A perda de um grande amor. Falta de dinheiro. Paralisia. Frio. Saudade. Carregar uma mochila de sete quilos durante horas. Desamparo. Sapatos apertados. Susto. Abandono.
A dor do gato me acordou.
A menina que dormia no quarto ao lado abriu a janela e gritou:
- Cala a boca!
Olhou para mim e perguntou por que eu não fazia o mesmo.
Eu? Sai do quarto à procura do gato. Da dor do gato. Debaixo de chuva.
Não o encontrei. Naquela hora tudo o que eu queria era diminuir a dor do mundo.
cuide de você - Sophie Calle, no Rio

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O que você faria se recebesse um e-mail pondo um ponto final numa relação amorosa? A artista plástica e escritora francesa Sophie Calle, um dos mais relevantes nomes da arte contemporânea mundial, encaminhou a carta de rompimento enviada a ela por seu então namorado a mais de cem mulheres e pediu para que cada uma a interpretasse à sua maneira. Prenez soin de vous (cuide de você) era a última frase do texto. Sophie decidiu seguir o conselho de um jeito pouco usual. O e-mail enviado à Sophie Calle em 2004, foi analisado por 107 intérpretes, todas mulheres, conhecidas e anônimas. O resultado? A exposição Cuide de Você, que chega ao Rio de Janeiro em seu maior formato. Reunindo fotografias, vídeos, textos e outras formas de interpretação. A mostra ocupará 2.400 m2 do Museu de Arte Moderna com uma nova montagem, inédita no Brasil até fevereiro de 2010.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
a menina que ficou presa na própria solidão
(colagem de textos)
É dia. Fim de tarde. Ela não consegue ver a cor do céu. A chuva cai forte. Janelas fechadas. Ruas vazias. A menina estende a mão direita e conta – “1, 2, 3, 4”! Faltam quatro dias para uma nova contagem de tempo. Pés descalços. Anda de um lado para o outro. O ano vai começar mais uma vez. A chuva lá fora cai ainda mais forte. A menina não tem mais vontade de sair pelas ruas. Não agora. Não sozinha. Ela ficou presa. Mas não sabe como. Não sabe por quê.
Então ela começa a se lembrar: quando criança não vivia sem a sua boneca. Não podia perdê-la de vista. Não brincava, não almoçava, nem jantava sem tê-la por perto. Quando ia dormir, não deitava sem primeiro acomodá-la ao seu lado.
- “Cresci. E hoje eu percebo que, desde pequena, procurava companhia. Procurava colo, aconchego, estar-ter e cuidar de alguém. Agora, percebo-me sozinha – estranhando essa minha percepção”.
Sua boneca? Está guardada dentro de uma caixa dourada, amarrada com os laços grandes de uma fita vermelha. Está num cantinho do seu armário. Sua boneca: de pano, com seus quase 18 anos. De face bonita e encardida. Revela só agora – “Meu Deus!”, um sorriso melancólico e estático, que não sustenta mais a sua solidão.
A menina continua com as janelas fechadas. Continua o seu caminho – o de todos nós: só. Continua. Sem a sua boneca desta vez. São somente seus: seus sonhos. Seus medos. Dividi-los com uma boneca de pano? Talvez. Mas ela poderia apenas escutar. – “Escutaria?”
Sim. As janelas continuam fechadas. Lá fora, chuva. Ela estende a mão mais uma vez e conta –“ 1, 2, 3”! Nesta hora ela olha através do vidro da janela. Do outro lado, os olhos de uma senhora que passa pela rua, debaixo da chuva. Pela primeira vez, a menina quis ter a coragem de abrir uma pequena fresta da janela.
(...)
Ela abre.
(...)
É dia. Fim de tarde. Ela não consegue ver a cor do céu. A chuva cai forte. Janelas fechadas. Ruas vazias. A menina estende a mão direita e conta – “1, 2, 3, 4”! Faltam quatro dias para uma nova contagem de tempo. Pés descalços. Anda de um lado para o outro. O ano vai começar mais uma vez. A chuva lá fora cai ainda mais forte. A menina não tem mais vontade de sair pelas ruas. Não agora. Não sozinha. Ela ficou presa. Mas não sabe como. Não sabe por quê.
Então ela começa a se lembrar: quando criança não vivia sem a sua boneca. Não podia perdê-la de vista. Não brincava, não almoçava, nem jantava sem tê-la por perto. Quando ia dormir, não deitava sem primeiro acomodá-la ao seu lado.
- “Cresci. E hoje eu percebo que, desde pequena, procurava companhia. Procurava colo, aconchego, estar-ter e cuidar de alguém. Agora, percebo-me sozinha – estranhando essa minha percepção”.
Sua boneca? Está guardada dentro de uma caixa dourada, amarrada com os laços grandes de uma fita vermelha. Está num cantinho do seu armário. Sua boneca: de pano, com seus quase 18 anos. De face bonita e encardida. Revela só agora – “Meu Deus!”, um sorriso melancólico e estático, que não sustenta mais a sua solidão.
A menina continua com as janelas fechadas. Continua o seu caminho – o de todos nós: só. Continua. Sem a sua boneca desta vez. São somente seus: seus sonhos. Seus medos. Dividi-los com uma boneca de pano? Talvez. Mas ela poderia apenas escutar. – “Escutaria?”
Sim. As janelas continuam fechadas. Lá fora, chuva. Ela estende a mão mais uma vez e conta –“ 1, 2, 3”! Nesta hora ela olha através do vidro da janela. Do outro lado, os olhos de uma senhora que passa pela rua, debaixo da chuva. Pela primeira vez, a menina quis ter a coragem de abrir uma pequena fresta da janela.
(...)
Ela abre.
(...)
domingo, 25 de outubro de 2009
conversa entre amores
.
Ela deixou o copo em cima da mesa. Mármore. Céu azul. Mar. Tinha esquecido como era o tom daquela voz que. . . . . . olha! esqueceu! Dentro do copo: água. Levou até a boca. Tentou se lembrar de novo. Nada.
- Sabe o que é? É que nada se compara ao frescor do primeiro amor.
Ela tentava se lembrar. Nada. Do outro lado da mesa ele afirmava que o primeiro amor era inocente demais. Devagar.
- Demais!
Com o copo vazio ela insistiu que o primeiro amor poderia durar e amadurecer. Mas ele foi embora e nesta hora ela acreditou que outro não viria. Sim, ela sabia. Você sabe. Eu sei. "Amores não são muitos. Mas são alguns". Mas naquela hora ela não conseguia acreditar. O copo vazio. O mármore molhado. Mar. Já era noite.
- Passa?
Dizem que sim. Dor passa. Saudade passa. Vontade passa. Mas ela continuava insistindo que amor. . . (ai) este primeiro amor, não passa.
Até falam que o segundo virá assim: avassalador. Sentará ao seu lado. Acenderá as luzes. Ela, carente. Ele, combinando com todos os seus sonhos e suas vontades. Ok. É mais ou menos assim que chamavam a felicidade.
Mas ela não dá bola! O copo agora, cheio. Ela inteira. Feliz. Sozinha. Continua olhando para o mar.
Ela deixou o copo em cima da mesa. Mármore. Céu azul. Mar. Tinha esquecido como era o tom daquela voz que. . . . . . olha! esqueceu! Dentro do copo: água. Levou até a boca. Tentou se lembrar de novo. Nada.
- Sabe o que é? É que nada se compara ao frescor do primeiro amor.
Ela tentava se lembrar. Nada. Do outro lado da mesa ele afirmava que o primeiro amor era inocente demais. Devagar.
- Demais!
Com o copo vazio ela insistiu que o primeiro amor poderia durar e amadurecer. Mas ele foi embora e nesta hora ela acreditou que outro não viria. Sim, ela sabia. Você sabe. Eu sei. "Amores não são muitos. Mas são alguns". Mas naquela hora ela não conseguia acreditar. O copo vazio. O mármore molhado. Mar. Já era noite.
- Passa?
Dizem que sim. Dor passa. Saudade passa. Vontade passa. Mas ela continuava insistindo que amor. . . (ai) este primeiro amor, não passa.
Até falam que o segundo virá assim: avassalador. Sentará ao seu lado. Acenderá as luzes. Ela, carente. Ele, combinando com todos os seus sonhos e suas vontades. Ok. É mais ou menos assim que chamavam a felicidade.
Mas ela não dá bola! O copo agora, cheio. Ela inteira. Feliz. Sozinha. Continua olhando para o mar.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
telefone
Foi então que, ainda enrolada na toalha, atendeu o telefone.
Era ele dizendo saudade. Aquele homem (re)significava sua fragilidade com a repetição.
Ela apenas respondeu:
- Sim.
Sequer sabia se seu coração aceitaria.
Ele (forte) aceitou.
(?)
Era ele dizendo saudade. Aquele homem (re)significava sua fragilidade com a repetição.
Ela apenas respondeu:
- Sim.
Sequer sabia se seu coração aceitaria.
Ele (forte) aceitou.
(?)
terça-feira, 6 de outubro de 2009
água corrente
Ela chegou em casa, tirou os sapatos e correu para o chuveiro. Deixou a água molhar com agressividade todo o seu corpo. Estava calma. Serena. A água escorria sobre sua cabeça, seus olhos, suas costas. Acabara de receber a notícia. Ele havia se casado. Assim, como num passe de mágicas. E o susto: ela não sentia dor. Deixou a água invadir cada pedaço do seu corpo nu tão intocado nos últimos tempos. Estava sozinha havia... quanto tempo, mesmo? Não sei o motivo, mas fizera essa opção! Fizera? Parece que sim porque uma mulher jovem como ela, linda, não poderia ficar sozinha aos 29 anos. - "Não, não poderia." Todos pensavam! Mas estava sozinha. Seu único prazer diário era deixar a água escorrer por todo o seu corpo. Ela já não sentia dor com todas as despedidas de seus amores. Antigos? O mais recente e forte de todos havia mandado notícias de que não queria notícias. Dela. Meu Deus! Um amor recusando amor! Era mais ou menos assim que a liberdade se mostrava presente. De mansinho. O primeiro de todos os amores havia se casado já há alguns anos. Em Paris. Fizera 30 anos no penúltimo dia do mês de setembro de nem atendera ao telefone. A liberdade de novo permeava docemente seu presente, (re)significando todos os seus amores. Aquele outro que ela já nem se lembrava mais também havia se casado! - "Então, espere!" Pensou. -"Todos os meus antigos amores já se casaram." Sim. Mas nada disso doía. Mais. Ela apenas continuava sentindo sua solidão debaixo do chuveiro. Nada mais no mundo fazia doer. Ela estava sozinha e não sentia saudades. Fechou a torneira. Deixou a toalha roubar todas as gotas que contornavam seu corpo. Foi para a janela. Qualquer choque térmico a deixaria mais viva. O chuveiro não parava de pingar. Insistente. Água. Calor. Barulho. Incômodo. Parecia que aquele prazer insistia em não deixá-la ir embora. Ela mencionou com o corpo deixar a vista da janela e voltar para o chuveiro. Mas não queria. Não desta vez. Agora ela estava livre para qualquer possibilidade de se encontrar inteira diante da vida.
A água continou escorrendo...
A água continou escorrendo...
terça-feira, 1 de setembro de 2009
costume de ser
Como continuar sendo se o que tenho costume de ser vai deixando aos poucos de caber dentro de mim? Como ser se meus olhos me acompanham, mas meus pés traçam limites na minha maneira de existir? Nesta hora saio do meu corpo. Sinto urgência de abandonar os meus desejos. Confesso: eu não caibo dentro de mim.
por quê?
Porque eu gosto um pouco do inferno. Porque eu não sei o que teria sido feito de mim se não tivesse decidido aprofundar no amor e vivê-lo de graça. Sim. Eu canso de ser suave todas as manhãs. Eu preciso um pouco do inferno. Da dúvida. Da dor. Senão a fé não caberia em mim.
terça-feira, 14 de julho de 2009
cie à Fleur de Peau
WORKSHOP DE DANÇA TEATRO EM SÃO PAULO

«bordar em movimento»
poesia e humor na composição coreográfica
"Com o objetivo de aprofundar o trabalho de preparação do intérprete, o eixo principal deste workshop será a composição coreográfica e sua influência na teatralização da dança. O trabalho será voltado para a criação de estruturas cênicas simples, com base em um vocabulário comum elaborado durante as sessões de trabalho: gestos, textos, partituras coreográficas, personagens/intérpretes. O objetivo não é chegar à um resultado apresentável, mas entender o mecanismo de composição. Trata-se de uma pesquisa dentro do universo das emoções e como é possível colocar corpo e alma a serviço da narração.
Conteúdo do workshop:
As sessões de trabalho serão compostas de três ítens principais: preparação corporal, improvisação e composição coreográfica.
- técnicas de base de sua linguagem específica: independência das articulações, coordenação, jogos de disponibilidade, diferentes qualidades de movimento, ritmo, energia;
- aprendizado de certas coreografias do repertório e abordagem do sistema de composição coreográfica e cênica utilizados pela companhia;
- trabalho personalizado de cada intérprete/bailarino e de seu gestual, o tragi-cômico e o "natural estilizado";
- teatralização do movimento, criação de sequências gestuais e de "partituras visuais e musicais";
- como chegar à dança tendo como base situações cotidianas e determinadas intenções teatrais;
- como encontrar uma forma cênica adequada para exprimir uma emoção.
São Paulo:
* 25 e 26 de julho de 2009
sábado das 10h às 16h30
domingo das 10h às 15h30
obs. 1/2 hora de intervalo para lanche
Local: ESPAÇO GUIARÁ - Rua Guiará, 157 - Pompéia
Informações e inscrições :
fe.haucke@companhiadofeijao.com.br
--------------------------------------------------------------------------------
Sobre a cie « à fleur de peau »
* Ela é brasileira, ele alemão; vivem em Paris onde fundam sua companhia em 1988. Até hoje já criaram vinte espetáculos e coreografias para «à fleur de peau» e para o repertório de outras companhias como: Cisne Negro, Balé da Cidade de São Paulo, Bernballett, Cia. de Danças de Diadema, Rotterdamse Dansacademie e Cirka Teater.
* A companhia participou de festivais e eventos internacionais de renome ("Biennale de la Danse", Lyon, "Holland Dance Festival", Haia, "Rio Panorama" etc.) e apresentou seus espetáculos em diversos países. A coreografia «4'quarts» obteve o 1° prêmio no "Tremplins de la Danse" em St.-Dizier e o prêmio de humor no "Concurso Volinine" em St.-Germain-en-Laye, «quelques réflexions» obteve o 1° prêmio no "Concurso Internacional para Coreógrafos" em Groninga, Holanda.
*«aller-retour simple» foi co-produzida pela Cia. Maguy Marin/CCN Rillieux-la-Pape (accueil studio). «un ange passe-passe ou entre les lignes il y a un monde» pelo Théâtre de l'Enfumeraie (Sarthe), durante uma residência de criação. «como se não coubesse no peito» foi uma encomenda do Balé da Cidade de São Paulo, com patrocínio da Petrobrás e «talvez sonhar …» uma encomenda da Cia. Cisne Negro, co-produzida pelo SESC. A criação «que reste-t-il de nos amours ?» (para 10 bailarinos) foi co-produzida pela Maison de la Danse de Lyon em 2005 (residência), com patrocínio da Fondation BNP Paribas, do Ano do Brasil na França, ADAMI, ONDA e do Centre National de la Danse. A criação, «miroirs de l'âme», teve sua estréia em março de 2007, no Théâtre du Lierre, em Paris, iniciando uma residência de 4 anos. Em 2008, para as festividades dos 20 anos da companhia, criaram duas peças : «au delà du temps» e «si un jour je te quitte, je te garderai en moi à nu à vif à jamais».
Concepção artística
* Denise Namura e Michael Bugdahn consideram a coreografia como um modo para veicular a emoção, como uma forma carregada de significação concreta. Sua pesquisa é baseada no uso do corpo inteiro como instrumento polivalente e num trabalho intenso sobre o gesto e sobre a musicalidade do movimento. A Cia. « à fleur de peau » prega a mistura de gêneros e propõe um olhar sobre a condição humana, cheio de ternura, generosidade, humor e emoção, a fim de vivenciar uma troca imediata com o público.
* A pedagogia é um aspecto essencial de seu trabalho. Desde a criação da companhia, os dois coreógrafos se dedicam a uma atividade pedagógica baseada na teatralização da dança, um elemento intimamente ligado ao desenvolvimento de seu discurso dançado. A partir de um trabalho de preparação do intérprete, organizam regularmente workshops, oficinas e cursos para profissionais, amadores e crianças."

«bordar em movimento»
poesia e humor na composição coreográfica
"Com o objetivo de aprofundar o trabalho de preparação do intérprete, o eixo principal deste workshop será a composição coreográfica e sua influência na teatralização da dança. O trabalho será voltado para a criação de estruturas cênicas simples, com base em um vocabulário comum elaborado durante as sessões de trabalho: gestos, textos, partituras coreográficas, personagens/intérpretes. O objetivo não é chegar à um resultado apresentável, mas entender o mecanismo de composição. Trata-se de uma pesquisa dentro do universo das emoções e como é possível colocar corpo e alma a serviço da narração.
Conteúdo do workshop:
As sessões de trabalho serão compostas de três ítens principais: preparação corporal, improvisação e composição coreográfica.
- técnicas de base de sua linguagem específica: independência das articulações, coordenação, jogos de disponibilidade, diferentes qualidades de movimento, ritmo, energia;
- aprendizado de certas coreografias do repertório e abordagem do sistema de composição coreográfica e cênica utilizados pela companhia;
- trabalho personalizado de cada intérprete/bailarino e de seu gestual, o tragi-cômico e o "natural estilizado";
- teatralização do movimento, criação de sequências gestuais e de "partituras visuais e musicais";
- como chegar à dança tendo como base situações cotidianas e determinadas intenções teatrais;
- como encontrar uma forma cênica adequada para exprimir uma emoção.
São Paulo:
* 25 e 26 de julho de 2009
sábado das 10h às 16h30
domingo das 10h às 15h30
obs. 1/2 hora de intervalo para lanche
Local: ESPAÇO GUIARÁ - Rua Guiará, 157 - Pompéia
Informações e inscrições :
fe.haucke@companhiadofeijao.com.br
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Sobre a cie « à fleur de peau »
* Ela é brasileira, ele alemão; vivem em Paris onde fundam sua companhia em 1988. Até hoje já criaram vinte espetáculos e coreografias para «à fleur de peau» e para o repertório de outras companhias como: Cisne Negro, Balé da Cidade de São Paulo, Bernballett, Cia. de Danças de Diadema, Rotterdamse Dansacademie e Cirka Teater.
* A companhia participou de festivais e eventos internacionais de renome ("Biennale de la Danse", Lyon, "Holland Dance Festival", Haia, "Rio Panorama" etc.) e apresentou seus espetáculos em diversos países. A coreografia «4'quarts» obteve o 1° prêmio no "Tremplins de la Danse" em St.-Dizier e o prêmio de humor no "Concurso Volinine" em St.-Germain-en-Laye, «quelques réflexions» obteve o 1° prêmio no "Concurso Internacional para Coreógrafos" em Groninga, Holanda.
*«aller-retour simple» foi co-produzida pela Cia. Maguy Marin/CCN Rillieux-la-Pape (accueil studio). «un ange passe-passe ou entre les lignes il y a un monde» pelo Théâtre de l'Enfumeraie (Sarthe), durante uma residência de criação. «como se não coubesse no peito» foi uma encomenda do Balé da Cidade de São Paulo, com patrocínio da Petrobrás e «talvez sonhar …» uma encomenda da Cia. Cisne Negro, co-produzida pelo SESC. A criação «que reste-t-il de nos amours ?» (para 10 bailarinos) foi co-produzida pela Maison de la Danse de Lyon em 2005 (residência), com patrocínio da Fondation BNP Paribas, do Ano do Brasil na França, ADAMI, ONDA e do Centre National de la Danse. A criação, «miroirs de l'âme», teve sua estréia em março de 2007, no Théâtre du Lierre, em Paris, iniciando uma residência de 4 anos. Em 2008, para as festividades dos 20 anos da companhia, criaram duas peças : «au delà du temps» e «si un jour je te quitte, je te garderai en moi à nu à vif à jamais».
Concepção artística
* Denise Namura e Michael Bugdahn consideram a coreografia como um modo para veicular a emoção, como uma forma carregada de significação concreta. Sua pesquisa é baseada no uso do corpo inteiro como instrumento polivalente e num trabalho intenso sobre o gesto e sobre a musicalidade do movimento. A Cia. « à fleur de peau » prega a mistura de gêneros e propõe um olhar sobre a condição humana, cheio de ternura, generosidade, humor e emoção, a fim de vivenciar uma troca imediata com o público.
* A pedagogia é um aspecto essencial de seu trabalho. Desde a criação da companhia, os dois coreógrafos se dedicam a uma atividade pedagógica baseada na teatralização da dança, um elemento intimamente ligado ao desenvolvimento de seu discurso dançado. A partir de um trabalho de preparação do intérprete, organizam regularmente workshops, oficinas e cursos para profissionais, amadores e crianças."
sábado, 11 de julho de 2009
festival Valère Novarina

Valère Novarina fará conferência no dia 13 de julho no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Com debates, mesas redondas e conferências em torno da obra do artista.
"NOVARINA EM CENA é um projeto de criação artística que abrange montagem e apresentação de quatro espetáculos, uma prática de montagem, leituras dramatizadas, mesas redondas e lançamento de livro em torno de um único artista: Valère Novarina, autor e artista plástico contemporâneo francês. À frente do evento estão Angela Leite Lopes, responsável, há dez anos, pela tradução dos textos de Novarina no Brasil, Thomas Quillardet, diretor teatral francês, responsável pela montagem de O beijo no asfalto de Nelson Rodrigues na França, e de autores contemporâneos franceses no Brasil e Ana Kfouri, atriz e diretora teatral.
O projeto NOVARINA EM CENA contará com a participação da diretora francesa Claude Buchvald - uma das principais encenadoras da obra de Novarina na França. Buchvald dirigirá um espetáculo e orientará uma prática de montagem, fruto do intercâmbio entre as Universidades Paris 8 e UFRJ. NOVARINA EM CENA terá a honra de contar também com a presença do autor, Valère Novarina. Abertura do evento no Espaço Sesc (arena) – dia 15 de julho, com a presença do autor e lançamento do livro “Ateliê Voador e Vocês que habitam o tempo”, tradução de Ângela Leite Lopes.
O projeto NOVARINA EM CENA apresentará quatro espetáculos do autor, todos com tradução de Angela leite Lopes
O Animal do Tempo – primeira parte do texto Discurso aos Animais

Direção Antonio Guedes
Atuação Ana Kfouri
Em Discurso aos animais - o animal do tempo, um personagem caminha por entre túmulos e fala. É essa fala que vai construindo a cena, enquanto ele vai dando indícios de quem é. Nascimento, vida, morte - não nessa ordem, aliás, sem ordem nenhuma - são narrados por esse João Gebú, João sem ações, João de Cadáver e de Espírito, João Penúltio, João Sem Nome, na constante mutação expressa pelo eterno nomear, no movimento incessante reforçado pela linguagem criada, inventada, brincada, mas que aparece como único traço de certeza e de constância. A verdadeira matéria do homem é a sua palavra.
A Inquietude - segunda parte do texto Discurso aos Animais
Direção Thierry Trémouroux
Atuação Ana Kfouri
Texto que constrói vazios, espaços, interrogações, tecido por uma dramaturgia sem história a ser contada, pulsada por uma melancolia e uma crueza ferina. A Inquietude apresenta um “personagem” excepcional: João Mancada, em francês, Jean qui Cloche.
E com João Mancada vamos a vários lugares e tempos, ouvindo “em frases morses todas as canções repetirem estritamente a mesma coisa”. Jean qui Cloche é corpóreo, espiritual, lúdico e parece confirmar o desejo de Novarina quando ele diz “que está há muito tempo à procura de algo como uma arte lírica sem eu. Não ser mais homem, mas um que emite figuras humanas sem parar: dançar sem saber, pensamentos sem ter, sinais sobre os muros”.
O Ateliê Voador
Estreia 17 de julho – Espaço Sesc - arena
Direção Thomas Quillardet
Atuação Cris Larin, Renato Carrera, Cecília Hoeltz, Pedro Henrique Monteiro, Letícia Novaes, Laura Nielsen, Renato Livera e Sérgio Medeiros.
Comédia. Seis empregados, tão desprovidos de identidade que são chamados
por letras do alfabeto, vivem sob o mais perfeito domínio do casal
Boucot. Os patrões, obcecados pelo medo de uma revolta por parte dos trabalhadores, elaboram as mais variadas estratégias para controlar todos os aspectos
de suas vidas e, principalmente, a linguagem.
O choque das línguas
Até 13 de julho - Teatro Glauce Rocha
Direção – Claude Buchvald
Atuação - Claude Merlin e Lorena da Silva
Projeto de espetáculo a ser produzido pela Companhia Claude Buchvald, com textos de Valère Novarina e tradução de Angela leite Lopes."
sábado, 20 de junho de 2009
solidão do ator
quinta-feira, 11 de junho de 2009
sinto tanto
sinto muito tanto querer sentir tudo aquilo que me causava
entende?
sinto tanta saudade de tudo aquilo que me fazia sentir
mais fácil?
sinto muito e tanto que se torna falta daquilo que sentia com você
lembra?
mas não quero o gosto que sentia no percurso para chegar àquele lugar
tão claro
Me ensina por favor outro caminho.
Sinto muito tanto querer. .
entende?
sinto tanta saudade de tudo aquilo que me fazia sentir
mais fácil?
sinto muito e tanto que se torna falta daquilo que sentia com você
lembra?
mas não quero o gosto que sentia no percurso para chegar àquele lugar
tão claro
Me ensina por favor outro caminho.
Sinto muito tanto querer. .
quinta-feira, 4 de junho de 2009
o que aprendi hoje
O segredo está em fazer da disciplina um ritual. Tornar sagrado cada repetição cotidiana. Talvez assim seja possível não cansar nunca. Ainda vou descobrir!
Palavras dedicadas a Tonio Carvalho.
Palavras dedicadas a Tonio Carvalho.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
inteira na minha solidão
Faltavam poucos dias para o ano começar. Eu me lembro bem. Quase não dava para acreditar. Meus olhos embaçados não enxergavam sequer a densidade da chuva que sempre constrói o cenário de Belo Horizonte no mês de dezembro. Eu estava inteira na minha dor. Era a primeira de tantas despedidas desta época da minha vida. Mas é mais ou menos assim que acontece. Uma vez uma pessoa muito sábia que conheci me disse que temos que viver a dor por inteiro. Assim como vivemos a felicidade. Temos que aceitar a dor. Eu aceitei. Lembro do trajeto que fazia do meu quarto até a varanda da minha casa. Era tudo o que conseguia caminhar. Foi assim nos primeiros dias. Quase não conseguia respirar. Seguia. Pegava o carro a qualquer hora do dia só para sentir a água fria da cachoeira caindo pesada em meus ombros. Reinventei minhas conexões e minha fé. Mas como tudo na vida acontece dessa forma, aquela mesma varanda alguns meses depois virou cenário de um (re) encontro com tantos amigos que há muito deixara de lado. Meus finais de semana eram curtos tamanha minha vontade de viajar. Apareceram trabalhos. Passeios. Encontros. Conheci novos lugares. Outras praias. Escutei novos sotaques. A vida brinca um pouco com nossa dor. Coloca em cheque. Provoca. Coloca à prova. Dá de bandeja milhões de possibilidades e brincadeiras só pra nos distrair. Então mudei de casa. Troquei os pneus do carro. Comprei uma nova cama para meu quarto. Mudei minha forma de me relacionar com o mundo. Aprendi uma nova maneira de amar. Sim. Escorreguei. Perdi as contas de quantas vezes me entreguei. Confesso que até tentei amar mais uma vez. Ganhei uma bicicleta de alguém que nem me conhece. Colori as paredes da minha casa. Mas (!) e daí?! Quer saber? Amanhã vou acordar cedo para andar de bicicleta no Aterro. Bobagem? Não é, não! Vou fazer isso porque não adianta. Nada adianta. Decidi mergulhar inteira na minha solidão. Daí tanto faz. Cores. Amigos. Amores. Eu tenho que ficar só. Só assim vou entender porque naquele dia, no mês de dezembro, eu não consegui enxergar a densidade da chuva quando ele, sim, o meu amor, se foi. Ah! Sim. Como isso ainda me dói.
sábado, 23 de maio de 2009
Caio Fernando Abreu
depois de 5 meses o que eu poderia te dizer:
"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando."
"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando."
domingo, 10 de maio de 2009
saudade
Despertar. Um copo de água. Uma maçã. Repito quase sempre as mesmas partituras. Todos os dias. Cada uma povoada de novas inspirações. Tento alongar todas as partes do meu corpo. Dilatar todos os espaços vazios. Do lado de cá não faz frio. A paisagem continua no mesmo lugar. As folhas de macela perfumaram todo o quarto. Os livros se misturaram na estante. Os dias parecem mais longos. Mais curtos. Como pode ser assim? Procuro seus olhos na linha do horizonte. Aposto que do lado de lá seus movimentos misturam as cores de toda a Turquia e da Grécia. Se esta saudade imensa ficou maior que toda a Anatolia, a Tracia, a Asia Menor, (ai) o que posso dizer? Apenas registro que do lado de cá os meus dias se repentem e se renovam felizes à cada lembrança que ele me traz.
sábado, 9 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
em cartaz

"Esquecer é também perdoar o que não seria perdoado se a justiça e a liberdade prevalecerem (...) Esquecer o sofrimento passado é perdoar as forças que o causaram. Contra essa rendição ao tempo, o reinvestimento da recordação em seus direitos, como um veículo de libertação é uma das mais nobres tarefas do pensamento" (Eros e Civilização - Herbert Marcuse)
O espetáculo? Uma menina negra que viveu num engenho de açúcar no fim da escravidão. Um vela. Uma boneca. Grãos de café. Um fantasma que ainda atormenta a Casa-Grande, a "casa de açúcar" como ela gosta de chamar. O público? Não tira os olhos da negrinha durante cada segundo do espetáculo. Só fecha os olhos quando não há luz. Mas enxerga atento todo o gosto desta história.
Espetáculo criado por Luiz Fernando Marques
Renato Bolelli Rebouças
Sara Antunes
ai (!) menino
"Veio até mim
Quem deixou
Me olhar assim
Não pediu
Minha permissão
Não pude evitar
Tirou meu ar
Fiquei sem chão...
Menino bonito
Menino bonito, ai!
Ai menino bonito
Menino bonito, ai!...
É tudo o que eu posso
Lhe adiantar
O que é um beijo
Se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem prá roda
Da Malemolência..."
Quem deixou
Me olhar assim
Não pediu
Minha permissão
Não pude evitar
Tirou meu ar
Fiquei sem chão...
Menino bonito
Menino bonito, ai!
Ai menino bonito
Menino bonito, ai!...
É tudo o que eu posso
Lhe adiantar
O que é um beijo
Se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem prá roda
Da Malemolência..."
sábado, 2 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
do lado de cá
Mais uma tarde se transformou em madrugada. Último telefonema. Eu me lembro bem. Meus pés estavam sobre o gramado. Eu pisava macio enquanto escutava suas pausas de medo e pura felicidade! Descobríamos naquele momento o amor mais puro. Queríamos abraçar o mundo(!). Lembra? Era mais ou menos assim. Eu sentia e contava os segundos espremidos antes de desligar e anotava apressadamente a data de sua volta. Daqui quinze dias. Dez horas da noite. Aeroporto. Até lá tanta coisa poderia acontecer. Meus pés ainda pisavam o chão macio quando você desligou. Num piscar de olhos as luzes se acenderam. Já era noite. Certamente seus pensamentos estariam entre as nuvens. Sim. Mais uma noite se transformou em madrugada. Sem você aqui desta vez. Registrei versos. Arquivei fotos. Decorei textos. Criei trilhas. Passei parte da noite conhecendo os limites de seu percurso. A lua já mudou de forma. Voltou a ser crescente. Talvez nesta mesma hora você esteja andando por algum lugar da Turquia. Provavelmente quando o sol se pôr e você deitar no travesseiro de Macela, eu estarei lendo alguma coisa sobre Atenas. Antes mesmo de você chegar. E ao final desta madrugada penso: quantas horas faltam para o seu despertar? Impossível saber. Mas ainda assim. Mesmo assim. Eu te desejo bom dia e peço a Deus para te abençoar.
terça-feira, 21 de abril de 2009
resposta
Para Flor da Távola.
Quem sabe um telefone com fio? Uma internet banda larga. Um almoço quentinho. Uma boa caminhada? Uma manhã de sol. Abrir a janela antes de mais nada? Uma cama com lençol limpinho. Na rede dormir de tarde. À noite um bom vinho. A companhia dos amigos. Na varanda barulhinho de grilo. Na janela nem um pio! Quem sabe uma longa estrada? Uma passagem para todos os lugares! Fazer revisão no carro. Escutar na rádio sua música preferida? Quem sabe: muitos livros!? Um amor pra toda vida? Quem sabe eu acerte todos os sonhos da minha amiga? Quem sabe eu consiga ficar por perto: de noite, de tarde e de dia? Que a gente continue se encontrando sempre. De quinze em quinze dias!
Lóri.
Quem sabe um telefone com fio? Uma internet banda larga. Um almoço quentinho. Uma boa caminhada? Uma manhã de sol. Abrir a janela antes de mais nada? Uma cama com lençol limpinho. Na rede dormir de tarde. À noite um bom vinho. A companhia dos amigos. Na varanda barulhinho de grilo. Na janela nem um pio! Quem sabe uma longa estrada? Uma passagem para todos os lugares! Fazer revisão no carro. Escutar na rádio sua música preferida? Quem sabe: muitos livros!? Um amor pra toda vida? Quem sabe eu acerte todos os sonhos da minha amiga? Quem sabe eu consiga ficar por perto: de noite, de tarde e de dia? Que a gente continue se encontrando sempre. De quinze em quinze dias!
Lóri.
pergunta
Para Lóri.
"Quero saber, como foi o dia hj?
conseguiu internet, marceneiro, natação, carpinteiro,
um amor, um companheiro, uma luz, um bom chuveiro,
conseguiu advogado pra dizer a todo mundo
que tá tudo muito errado
que o sono da Mariana
merece ter na cama
um carinho ali do lado?"
Flor da Távola.
"Quero saber, como foi o dia hj?
conseguiu internet, marceneiro, natação, carpinteiro,
um amor, um companheiro, uma luz, um bom chuveiro,
conseguiu advogado pra dizer a todo mundo
que tá tudo muito errado
que o sono da Mariana
merece ter na cama
um carinho ali do lado?"
Flor da Távola.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
desato (texto antigo)
Palmas para o olhar acostumado diante do mundo. Levanto-me para aplaudir suas crenças. Seus valores pré-determinados. Não adianta tentar me vender sua felicidade enlatada. Conservada. Apalpada. Aquela que funciona à primeira vista e serve aos comuns. Transbordo-me em querências. Opto pelo simples. Não determino meus desejos. Não escolho por gêneros. Olho pra tudo com a mesma vontade. E não preciso desistir porque meus sonhos não cabem nos seus. Repito. Assino embaixo. Calo-me por não ser mais forte. Mas afirmo em silêncio essa vontade de ser igual pra você, e maior que metade de mim.
Não queria que fosse assim. Minha vida ninguém escolhe pra mim.
Não queria que fosse assim. Minha vida ninguém escolhe pra mim.
terça-feira, 14 de abril de 2009
ainda é cedo amor. . .
Hoje me disseram, e é bem verdade: o pior preconceito que existe é contra você mesmo. Não se falseie. Não se esconda. Não tenha medo de ser o que é. Afinal de contas, estamos sempre em constante transformação! Ainda é tão cedo para saber. .
Hilda Hilst, poemas malditos, gozosos e devotos
"doem-te as veias?
pulsaram porque fizeste
do barro os homens.
E agora dói-te a razão?
se me visses fazer
panelas, cuias.
e depois de prontas
me visses
aquecê-las a um ponto
a um grande fogo
até fazê-las desaparecer.
dirias que sou demente
louca?
Assim fizestes aos homens.
me deste vida e morte
não dói o peito?
Eu preferia
a grande noite negra
a esta luz irracional da vida."
pulsaram porque fizeste
do barro os homens.
E agora dói-te a razão?
se me visses fazer
panelas, cuias.
e depois de prontas
me visses
aquecê-las a um ponto
a um grande fogo
até fazê-las desaparecer.
dirias que sou demente
louca?
Assim fizestes aos homens.
me deste vida e morte
não dói o peito?
Eu preferia
a grande noite negra
a esta luz irracional da vida."
Nina Becker
atravesso a rua para ver Nina Becker cantar. A noite de refaz em sua desapresentação. Talvez por isso, sim, e por tantas outras coisas, penso: vale mesmo viver!
domingo, 12 de abril de 2009
o ator
“Por mais que as cruentas e inglórias batalhas do cotidiano tornem um homem duro e cínico, o suficiente para ele permanecer indiferente às desgraças ou alegrias coletivas, sempre haverá no seu coração, por minúsculo que seja, um recanto suave onde ele guarda ecos dos sons de algum momento de amor que viven na sua vida.
Bentido seja quem souber dirigir-se a esse homem que se deixou endurecer, de forma a atingí-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de auto-destruição que por desencanto ou medo, se sujeita a inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns da libertação.
Os atores têm esse dom; eles têm o talento de atingir as pessoas nos pontos onde não existem defeses. Os atores, eles, e não os Diretores, e Autores têm esso dom; por isso, o Artista do Teatro é o ATOR.
O público vai ao teatro por causa dos atores. O autor de teatro é bom na medida em que escreve peças que dão margem à grandes interpretações dos atores. Mas o ator tem que se conscientizar de que é um Cristo da Humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva.
O ator tem que saber que, para ser um Ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrificios. É preciso que o ator tenha muita coragem, muita humildade e sobretudo um transbordamento de amor fraterno para abdicar da própria personalidade em favor da personalidade de suas personagens, com a única finalidade de fazer a sociedade entender que o ser humano não tem instintos e sensibilidade padronizados como os hipócritas, como seus códigos de ética pretendem.
Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou depressão. Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele, como viajante solitário, sem a búsola da fé ou da ideoligia, é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente, procurando no seu mais secreto íntimo, afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem. Eu amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios, surge no palco com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano reprimido, violentado. Eu amo o ator que se empresta inteiro para expor para a platéia os aleijões da alma humana, cm a única finalidade de que seu público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor. Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem ter, não é o dinheiro, não são os aplausos, é a esperança de poder rir todos os risos e chorar todos os prantos. Eu amo os atores que sabem que no palco cada palavra e cada gesto são efêmeros e que nada registra nem documenta sua grandeza. Amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e que jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer da técnica mecânica. “
Plínio Marco – 1986
Canções e reflexos de um palhaço.
Bentido seja quem souber dirigir-se a esse homem que se deixou endurecer, de forma a atingí-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de auto-destruição que por desencanto ou medo, se sujeita a inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns da libertação.
Os atores têm esse dom; eles têm o talento de atingir as pessoas nos pontos onde não existem defeses. Os atores, eles, e não os Diretores, e Autores têm esso dom; por isso, o Artista do Teatro é o ATOR.
O público vai ao teatro por causa dos atores. O autor de teatro é bom na medida em que escreve peças que dão margem à grandes interpretações dos atores. Mas o ator tem que se conscientizar de que é um Cristo da Humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva.
O ator tem que saber que, para ser um Ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrificios. É preciso que o ator tenha muita coragem, muita humildade e sobretudo um transbordamento de amor fraterno para abdicar da própria personalidade em favor da personalidade de suas personagens, com a única finalidade de fazer a sociedade entender que o ser humano não tem instintos e sensibilidade padronizados como os hipócritas, como seus códigos de ética pretendem.
Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor, nas suas crises de euforia ou depressão. Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele, como viajante solitário, sem a búsola da fé ou da ideoligia, é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente, procurando no seu mais secreto íntimo, afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem. Eu amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios, surge no palco com segurança, emprestando seu corpo, sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma reserva toda a fragilidade do ser humano reprimido, violentado. Eu amo o ator que se empresta inteiro para expor para a platéia os aleijões da alma humana, cm a única finalidade de que seu público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um mundo melhor que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor. Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem ter, não é o dinheiro, não são os aplausos, é a esperança de poder rir todos os risos e chorar todos os prantos. Eu amo os atores que sabem que no palco cada palavra e cada gesto são efêmeros e que nada registra nem documenta sua grandeza. Amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e que jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer da técnica mecânica. “
Plínio Marco – 1986
Canções e reflexos de um palhaço.
domingo, 29 de março de 2009
logo agora
Logo agora você me diz, então. .
está indo embora?
Logo agora que escrevemos o roteiro.
Criamos o cenário,
e descobrimos
uma nova maneira de reinventar a vida?
Logo agora que faltam três dias
para nosso ano começar?
Que jogamos todos os nossos pedidos
no mar?
Logo agora que o seu livro foi reeditado?
Que assinaram minha carteira.
Que sou capaz de andar sozinha?
Logo agora você então me diz. .
está indo embora?
Logo agora que escrevemos o roteiro.
Criamos o cenário,
e descobrimos
uma nova maneira de reinventar a vida?
Logo agora que faltam três dias
para nosso ano começar?
Que jogamos todos os nossos pedidos
no mar?
Logo agora que o seu livro foi reeditado?
Que assinaram minha carteira.
Que sou capaz de andar sozinha?
Logo agora você então me diz. .
sexta-feira, 20 de março de 2009
gravidade
"no vôo umbilical
se agarra no cipó!
que a vida é uma só, cipó, se pá!
se pá! Eu chega lá
se pá, cipó
se pá, eu já pousei
pensei será
que vou me adaptar, quiçá, que só,
que sol que faz aqui!
eu pari pra ti um eu que eu censurei
ao dizer que o que eu sou, meu bem, nem sei
ou sei... mas não vou dizer."
(Gero Camilo)
se agarra no cipó!
que a vida é uma só, cipó, se pá!
se pá! Eu chega lá
se pá, cipó
se pá, eu já pousei
pensei será
que vou me adaptar, quiçá, que só,
que sol que faz aqui!
eu pari pra ti um eu que eu censurei
ao dizer que o que eu sou, meu bem, nem sei
ou sei... mas não vou dizer."
(Gero Camilo)
saudade sensorial
Minha saudade de você é toda e inteiramente sensorial. Penso em escrever-te cartas, mensagens, postais. Penso em fazer para você fotos dos meus passos. Pensamentos. Vistas. Janelas. Mas não sei se o carteiro chegaria em boa hora. Pode ser que ele se atrase um pouquinho e você esteja se arrumando apressadamente para encontrar o seu novo amor. Pode ser que você esteja dormindo profundamente. Pode ser que o carteiro chegue adiantado e te pegue saindo para o trabalho à procura de concentração. Por isso calo-me. Registro meus gestos e minhas ações na escuridão da noite. Guardo cada pedaço de mim e da minha nova história para dividir com você em um outro tempo. Minha saudade é tanta e tão sensorial que sinto o cheiro de quando você sonhava. Sinto o gosto da textura. A dor do abraço. Penso em escrever-te poemas, músicas, versos. Escrever na areia um pedaço da nossa história. Mas ela já foi registrada. Guardada. Bem cuidada. Minha saudade de você é tanta e ainda assim, eu só vejo um pedido de fim. Fim? Tento tocar em vão aquela sensação contruída pelo nosso encontro. Nunca conseguirei tocar sem você. Penso em escrever-te tratados, contratos, pedidos, roteiros. Mas outra vez enxergo pausa. Pausa para que eu possa decorar meus textos. Pausa para que você não se desequilibre na corda bamba. Minha saudade é tanta que misturo boa parte do que fui e do que sou agora. Mesmo assim você está aqui, rezando para que nada de mal me aconteça. Então recolho minhas linhas, meus verbos, meus queros e toda minha invenção. Apago o endereço do postal para que o carteiro não chegue sem hora marcada: na escolha do vinho tinto. Na criação do projeto. No meio do jantar. Ah! Pausa. Por favor. Para que eu não me perca no trânsito. Não me afogue no mar. Não adormeça antes da hora. Mesmo assim. Minha saudade de você é tanta e tão sensorial que ainda sinto o sabor do seu folêgo. Sim, minha saudade de você é tanta que só tenho coragem de seguir.
quinta-feira, 19 de março de 2009
depois de muito tempo sem açúcar
Tenho acordado sempre antes das sete da manhã. Naturalmente. Quarto novo. Nova janela. Jardim. Rua nova. Novos vizinhos. Lanchonete. Café bem quente antes das oito da manhã. Suco de laranja. Melancia. Mamão. Abacaxi. - "Seu Aurélio, por favor, um pãozinho com queijo minas"! Queijo minas? Antes, para mim todos os queijos eram feitos em minas! Ando pelas ruas como se ninguém me notasse. E não notam! Não preciso dizer como foi o dia de ontem e como será o de amanhã. Incrível tocar este lugar! Quando chega a noite, as paredes e o o cheiro do meu novo quarto é o que me traz consolo. É por isso que tenho que agradecer sempre a Deus. O seu quarto me protege. Depois de muito tempo sem açúcar chego em casa à procura de algo um pouco mais doce. Lembro dele chegando em minha casa com um vinho nas mãos e eu debaixo do chuveiro. Depois de anos eu ainda não tinha perdido este costume! Não tinha como ser diferente. A taça entre o indicador e o polegar da mão esquerda tocava levemente seus lábios. Com um abraço me trouxe uma barra de chocolate! Deixei lacrada. Acomodada na bolsinho da mala. Sim. Depois de muito tempo sem açúcar lembro do presente que ele me deu. Amores e amigos se fazem presentes em pequenos gestos. Devoro o chocolate! Afinal, não tenho ainda com quem dividir. Talvez seja essa minha procura pelo afeto. Só pode ser. Doce. Chocolate. Vinho. Qualquer coisa que desloque o calor desta cidade para outro lugar. Se estou feliz? O que poderia dizer se ainda não sei andar pelas ruas desta cidade e ainda assim vou em frente numa velocidade que não me deixa olhar para os lados? Mas ainda assim, olho! Olho e me perco repetidas vezes. Nunca sem coragem. O que eu poderia dizer se aqui tudo é tão simples como o lugar de onde vim? Quando acordo consigo avistar os braços de quem abençoa esta cidade. Abençoa? Para sempre vou acreditar que sim. O que posso dizer se olho pra vida com olhos um pouco mais puros e nada, nada ingênuos? O que posso dizer se acredito absurdamente no meu trabalho exatamente por ser simples. Exatamente por ser sensível. O que posso dizer se sinto uma saudade inenarrável e ainda assim me mantenho diante da linha do horizonte? Às vezes acordo e demoro para entender onde estou. Mas sinto-me corajosa. Por estar aqui. Por amar quem eu amo de longe. Por acreditar e, posso confessar (?), por ter me colocado em risco e ter me jogado assim: de olhos bem abertos sabendo (!?) o que poderia vir a seguir.
me perder
"É difícil perder-se. É tão difícl que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo".
Clarice Lispector
Clarice Lispector
quarta-feira, 18 de março de 2009
aqui do lado
...
pode ser então que esteja tudo errado
me disseram que o meu sono
merece ter na cama
um carinho aqui do lado!
pode ser então que esteja tudo errado
me disseram que o meu sono
merece ter na cama
um carinho aqui do lado!
vai desabar
"vai desabar água
algodão vai
desabar água
pra lavar o que tem que limpar
pra lavar o que tem
vai desabar água
e é pro nosso bem!"
Gero Camilo
algodão vai
desabar água
pra lavar o que tem que limpar
pra lavar o que tem
vai desabar água
e é pro nosso bem!"
Gero Camilo
terça-feira, 17 de março de 2009
coragem
.

"Calma, calma, também tudo não é assim escuridão e morte. Calma. Não é assim? Uma vez um menininho foi colher crisântemos perto da fonte, numa manhã de sol. Crisântemos? É, esses polpudos amarelos. Perto da fonte havia um rio escuro, dentro do rio havia um bicho medonho. Aí o menininho viu o crisântemo partido, falou ai, o pobrezinho está se quebrando todo, ai caiu dentro da fonte, ai vai andando pro rio, ai ai ai caiu no rio, eu vou rezar, ele vem até a margem, ai eu pego ele. Acontece que o bicho medonho estava espiando e pensou oi, o menininho vai pegar o crisântemo, oi que bom vai cair dentro da fonte, oi ainda não caiu, oi vem andando pela margem do rio, oi que bom vou matar a minha fome, oi é agora, eu vou rezar e o menininho vem pra boca. Oi veio. Mastigo, mastigo. Mas pensa, se você é o bicho medonho, você só tem que esperar menininhos nas margens do teu rio e devorá-los, se você é o crisântemos polpudo e amarelo, você só pode esperar ser colhido, se você é o menininho, você tem que ir sempre à procura do crisântemo e correr o risco. De ser devorado".
Hilda Hilst

"Calma, calma, também tudo não é assim escuridão e morte. Calma. Não é assim? Uma vez um menininho foi colher crisântemos perto da fonte, numa manhã de sol. Crisântemos? É, esses polpudos amarelos. Perto da fonte havia um rio escuro, dentro do rio havia um bicho medonho. Aí o menininho viu o crisântemo partido, falou ai, o pobrezinho está se quebrando todo, ai caiu dentro da fonte, ai vai andando pro rio, ai ai ai caiu no rio, eu vou rezar, ele vem até a margem, ai eu pego ele. Acontece que o bicho medonho estava espiando e pensou oi, o menininho vai pegar o crisântemo, oi que bom vai cair dentro da fonte, oi ainda não caiu, oi vem andando pela margem do rio, oi que bom vou matar a minha fome, oi é agora, eu vou rezar e o menininho vem pra boca. Oi veio. Mastigo, mastigo. Mas pensa, se você é o bicho medonho, você só tem que esperar menininhos nas margens do teu rio e devorá-los, se você é o crisântemos polpudo e amarelo, você só pode esperar ser colhido, se você é o menininho, você tem que ir sempre à procura do crisântemo e correr o risco. De ser devorado".
Hilda Hilst
quinta-feira, 12 de março de 2009
"O meu mundo acabou de atingir a perfeição, a meia-noite é também meio-dia. A dor é também um prazer, a maldição é também uma benção, a noite é também um sol; ide embora daqui, senão aprendereis: um sábio é também um louco. Dissestes sim, algum dia, a um prazer? Ó meus amigos, então dissestes, também, a todo sofrimento. Todas as coisas acham-se encadeadas, entrelaçadas, enlaçadas pelo amor. E se quisestes, algum dia, duas vezes o que houve uma vez, se dissestes, algum dia:"gosto de ti felicidade! Volte depressa, momento!", então quisestes a volta de tudo. Tudo de novo, tudo eternamente, tudo encadeado, entrelaçado, enlaçado pelo amor, então, amastes o mundo. Ó vos, seres eternos, o amais eternamente e para todo o sempre; e também vós dizeis ao sofrimento: "Passa, momento, mas volta!". Pois quer todo o prazer_eternidade!"
Nietzsche (Assim falou Zaratustra)
terça-feira, 10 de março de 2009
o mundo e seu amor
"Um
Foi grande o meu amor
Não sei o que me deu
Quem inventou fui eu
Fiz de você o Sol
Da noite primordial
E o mundo fora nós
Se resumia a tédio e pó
Quando em você tudo se complicou
Dois
Se você quer amar
Não basta um só amor
Não sei como explicar
Um só sempre é demais
Pra seres como nós
Sujeitos a jogar
As fichas todas de uma vez
Sem temer, naufragar
Não há lugar pra lamúrias
Essas não caem bem
Não há lugar pra calunias
Mas por que não
Nos reinventar
Três
Eu quero tudo que há
O mundo e seu amor
Não quero ter que optar
Quero poder partir
Quero poder ficar
Poder fantasiar
Sem nexo e em qualquer lugar
Com seu sexo junto ao mar.."
domingo, 8 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
antes de ir embora
há um tanto em mim que teme
outro tanto desabrocha
é difícil entender-se só
este ser inteiro e único
sim.
há um tanto em mim que teme
outra parte se joga
sem limites,
pega a estrada a qualquer hora da tarde
ou da madrugada
só para olhar o tamanho infinito ....................... da linha do horizonte.
lembra?
ir embora assim:
sem olhar pra trás!
mas, olha,
aqui eu confesso:
ainda procuro seus olhos antes de partir.
e por que você não vem comigo?
outro tanto desabrocha
é difícil entender-se só
este ser inteiro e único
sim.
há um tanto em mim que teme
outra parte se joga
sem limites,
pega a estrada a qualquer hora da tarde
ou da madrugada
só para olhar o tamanho infinito ....................... da linha do horizonte.
lembra?
ir embora assim:
sem olhar pra trás!
mas, olha,
aqui eu confesso:
ainda procuro seus olhos antes de partir.
e por que você não vem comigo?
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
sagrado
E mais um pequeno intervalo de noite transformou-se em madrugada. Depois de já decifrada a freqüência de sua pulsação (lembra?), povoou com toques açucarados os seus mistérios. Tinha até se esquecido que era a textura densa de sua pele que revelava o seu tipo sanguíneo. Vinte e um dias. Apenas. E aqueles olhos místicos descobriam do lado de fora tudo o que ela tinha por dentro e sequer percebia. Essa estrutura óssea angulosa e seus limites. Limites? Suas ações tão femininas e delicadas. Sua sensualidade deflagrada.
Aquele olhar a conduzia para um lugar extremamente desconhecido. Denso. Submerso. Entrava silenciosamente em outro estado.
E então o pequeno intervalo de madrugada transformou-se em uma manhã de sábado ensolarado. Ela ainda não sabia que todas suas ações ficariam registradas no universo. - "Então é desta forma que o mundo é conduzido?"
Era a primeira vez que, enfim, entrava em contato com tudo o que (nossa!) realmente acreditava. A linha do horizonte. Estar livre diante do mundo. E quem diria (!) uma madrugada transformando-se em um encontro doce e familiar. Aqueles olhos, que a acompanharam desde aquele pequeno início de noite, agora a conduziam para uma partilha nunca antes tocada.
...
O entardecer chegava enfim com a estrada correndo diante de seus olhos. O cinto de segurança estragado. O carro acelerado entre as curvas daquela floresta. – “E como será entrar lá dentro?”. Tudo ainda era desconhecido e misterioso. Não importa! Ela estava ali. Inteira. E ao perceber aquelas mãos abençoando seu corpo na água fria teve a leve sensação de que todo o seu percurso até ali fazia sentido.
Aquele olhar a conduzia para um lugar extremamente desconhecido. Denso. Submerso. Entrava silenciosamente em outro estado.
E então o pequeno intervalo de madrugada transformou-se em uma manhã de sábado ensolarado. Ela ainda não sabia que todas suas ações ficariam registradas no universo. - "Então é desta forma que o mundo é conduzido?"
Era a primeira vez que, enfim, entrava em contato com tudo o que (nossa!) realmente acreditava. A linha do horizonte. Estar livre diante do mundo. E quem diria (!) uma madrugada transformando-se em um encontro doce e familiar. Aqueles olhos, que a acompanharam desde aquele pequeno início de noite, agora a conduziam para uma partilha nunca antes tocada.
...
O entardecer chegava enfim com a estrada correndo diante de seus olhos. O cinto de segurança estragado. O carro acelerado entre as curvas daquela floresta. – “E como será entrar lá dentro?”. Tudo ainda era desconhecido e misterioso. Não importa! Ela estava ali. Inteira. E ao perceber aquelas mãos abençoando seu corpo na água fria teve a leve sensação de que todo o seu percurso até ali fazia sentido.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
andando de bicicleta. . .

Olho para um lado. Olho para o outro. Quando sei que posso seguir em frente não penso duas vezes antes de continuar. Basta ter a leve sensação do que quero, vou em busca. Mesmo. Não desisto fácil. E muito menos deixo de assumir o que sinto. Gosto de correr a favor da velocidade.. ando mais rápido assim. Mas tem sido fundamental lutar contra a gravidade. Dessa forma, correndo risco, torna-se necessário acertar.
Gosto de conhecer lugares novos. Onde ninguém me conhece. Andar no meio da multidão. Sozinha. Assim. Com os meus sonhos. Parar. Olhar de novo para um lado. Para o outro. Perceber que há outros caminhos. Outras possibilidades. Aceitar que muitas vezes erro e que não consigo nunca foi uma dificuldade. Por isso é tão prazeroso perceber que estou na estrada certa. Mesmo devagar. Pressa não é comigo. Gosto é de andar em alta velocidade. Percebe a diferença? Saber que logo à frente pode acontecer muito do que sonho. Saber que isso é escolha minha. Ter a consciência de que se eu continuar andando, vou me tornar mais ágil, responder melhor a imprevistos e não correr tanto o risco de ser atropelada.
Depois, voltar pra casa. De onde vim e onde tudo começou. Pessoas que amo. O que é essencial para mim. Só assim consigo continuar. Em seguida: olhar de novo pros dois lados.. às vezes até me esquecer de fazer isso.. e correr o risco de andar entre milhares de pessoas que muitas vezes nem olham ao seu redor.
(Aahh. . . enfim, sinto-me assim!)
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
palpável
às vezes quando não enxergamos,
as coisas lindas
são completamente diferentes
do que de fato são.
e não menos lindas.
ainda espero o dia
de tirarmos esta venda
para tocarmos com olhos possíveis
o nosso amor
e a nossa história.
Esse dia ainda nascerá.
as coisas lindas
são completamente diferentes
do que de fato são.
e não menos lindas.
ainda espero o dia
de tirarmos esta venda
para tocarmos com olhos possíveis
o nosso amor
e a nossa história.
Esse dia ainda nascerá.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
para meeu amooor
é preciso apenas uma pausa
tocar por um instante o tempo da delicadeza
e a saudade se refaz
(palpável tangível)
de tudo aquilo que é
e para sempre será
sagrado
e parte inteira
do que somos
Para você.
tocar por um instante o tempo da delicadeza
e a saudade se refaz
(palpável tangível)
de tudo aquilo que é
e para sempre será
sagrado
e parte inteira
do que somos
Para você.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
madrugada
Ele nem esperava que ela fosse descobrir com apenas um toque a freqüência de sua pulsação. Aqueles olhos então descobriram o seu tipo sanguíneo. E com essa descoberta destampou suas pernas, seus signos, seu desejo e aquela vontade inegável e intangível de dentro. Ele nem lembrava mais que a poesia de uma quinta-feira de manhã transformava-se quase sempre num ritmo doce e acelerado quando entrava em contato com a repetição cotidiana. Mas tudo bem, afinal de contas as nuvens continuavam no céu e poderia ser que (de repente!) a chuva começasse de novo. Belo Horizonte. Fevereiro. Sempre tem chuva. Mas há quem acredite que a melhor parte desta época do ano é e sempre será cada pequeno intervalo de noite transformando-se em madrugada.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
entrega
domingo, 8 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
ser
Vim ao mundo para ser e sentir. Já meus pensamentos me trazem a razão. Por isso ando procurando um entendimento deste paradoxo. Então decido poetizar a vida. Sou um ser extremamente livre. Curioso. Entregue. Fiel. Gosto de leveza e não me encaixo em regras. Não gosto de extremos. Opto pelo simples. Pelo bom gosto. Pelo melhor do humor. Vejo a vida do ponto mais alto do universo. Gosto de detalhes, mas às vezes me distraio com o grande. Prefiro olhar pro mundo sempre de forma mais doce. Procuro pureza e estética na repetição cotidiana. Gosto de olhar para o outro. Mas algumas vezes escuto pouco. Esqueço de olhar até para dentro de mim. Mas ao saber disso percebo-me atenta. E por isso tudo procuro sempre ser melhor. Gosto de agradecer a Deus por todas as coisas. Afinal de contas sou uma pessoa de sorte e muito feliz.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
pensamentos
às vezes eu acho que é abandono
e é só uma escolha
às vezes eu acho que é solidão
e é só entendimento
às vezes eu acho que é tristeza
e é só uma pausa
afinal (lembra?)
sou inteira dentro de mim.
e é só uma escolha
às vezes eu acho que é solidão
e é só entendimento
às vezes eu acho que é tristeza
e é só uma pausa
afinal (lembra?)
sou inteira dentro de mim.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
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