sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

bird girl



"I am a bird girl now
I've got my heart
Here in my hands now
I've been searching
For my wings some time
I'm gonna be born
Into soon the sky
'Cause I'm a bird girl
And the bird girls go to heaven
I'm a bird girl
And the bird girls can fly
Bird girls can fly"
Antony And The Johnsons

trabalhos



Mariana Coutinho nasceu em 1981 em Minas Gerais. É atriz formada pelo CEFAR (Centro de Formação Artística) da Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes, em Belo Horizonte, MG. É pós-graduada pela Puc-Minas em PROCESSOS CRIATIVOS EM PALAVRA E IMAGEM e formada em JORNALISMO pelo Uni-BH. Em 2009 cursou a OFICINA DE ATORES da TV GLOBO com carga horária de 1.216 horas, onde trabalhou com os diretores Marcos Schechtman e Carlos Araújo. Dentro da oficina, cursou durante 7 meses a OFICINA DE CORPO, com foco na DESAPRESENTAÇÃO DO ATOR, ministrada por Ana Kfouri. Este trabalho foi desenvolvido a partir do trabalho e obra do dramaturgo francês Valère Novarina. Também em 2009, fez a Oficina de treinamento para atores através do uso de MÁSCARAS BALINESAS, com Fabianna de Mello e Souza. Em 2010 participou do 11º FESTIVAL DE CENAS CURTAS DO GALPÃO CINE HORTO com a cena HÓSPEDES DO TEMPO, direção de Renato Farias. Também no CINE HORTO, atuou no espetáculo LÚDICO CIRCO DA MEMÓRIA de Chico Medeiros e Tiche Vianna, projeto OFICINÃO. Trabalhou também com Lenine Martins na peça O BALCÃO, de Jean Genet, e com Mauro Xavier no espetáculo ATO VARIADO. Ambos, montagem de formatura do CEFAR. Participou dos espetáculos LIVRO DE JÓ e APOCALIPSE 1.11 do grupo Teatro da Vertigem durante o FIT - Festival Internacional de Teatro, realizado em Belo Horizonte. Recentemente, trabalhou as técnicas de View Points e Sistemas Dramatúrgicos do Sinisterra com Christiane Jatahy. No cinema, atuou nos curtas DEBAIXO D'ÁGUA de Silvia Godinho, com roteiro premiado no FILME EM MINAS; SOBRE O RESTO DOS DIAS de Alexandre Baxter e Luiz Felipe Fernandes e LUNARIUM de Elza Cataldo. Participou também do longa FAMÍLIA de Guilherme Reis e Byron O' Neill.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Mostra de Cinema de Tiradentes

TV MOSTRA - cobertura completa da Mostra no site: www.mostratiradentes.com.br

do lado de lá do balcão

para Roberta (onde quer que ela esteja)
Tiradentes. Janeiro de 2003. Chuva. Sempre chove em dias especiais.

Déborah, amiga de infância, estava sentada num banquinho de madeira de um daqueles bares que contornam a praça principal de Tiradentes. Contava histórias engraçadas sobre sua vida em Juiz de Fora e descrevia com detalhes uma grande amiga, que mais tarde, iria me apresentar. Entusiasmada, declarava em voz mansa: “ela se parece tanto com você. Gosta de literatura, teatro, cinema e cores!”. Naquela época compartilhávamos tudo: viagens. Histórias. Descobertas. Sonhos. Amigos. Amores.

O entardecer ainda estava longe, mas a chuva fez Tiradentes anoitecer mais cedo naquele dia. Para quem não sabe, há mais de dez anos Tiradentes recebe no mês de Janeiro pessoas de todos os lugares do Brasil e do mundo para a Mostra de Cinema. Era o meu primeiro ano na cidade histórica que então virava cenário dos momentos mais lindos do início da minha juventude.

Anoiteceu. Já eram mais ou menos nove horas da noite. Tenda Principal lotada. Pré-estréia do filme de Débora Falabella. Chuva. Frio. Mais chuva. Não cheguei a tempo para o filme. Parei para tomar um suco, ou uma cerveja, não me lembro muito bem e isso eu deixo à escolha de sua imaginação, querido leitor. Embora o bar, sim, eu ainda consiga descrever com detalhes: barulho. Comidas gostosas. Muitas pessoas sentadas conversando. Jovens entrando e saindo a todo momento. Nenhuma mesa vazia. O balcão ficava à esquerda do bar. Foi ali que pedi a bebida. Cerveja? Pode ser que sim. Naquela época eu gostava de cerveja. O balcão fazia um L e o barman que então me atendia desviou sua atenção. Do lado de lá uma menina, sim, uma menina, de cachos vermelhos, pedia, [aí sim eu me lembro bem], uma cerveja! Curioso perceber, hoje, o que era fácil para os mais atentos naquele bar, que o rapaz ficou ali, atrás do balcão, parado com a bebida nas mãos enquanto aquela menina de flores nos cabelos encaracolados e blusa verde musgo, sorria para o lado de cá do balcão. Era como se o tempo tivesse parado naquele instante.

Foi a primeira vez que uma menina sorriu para mim. Eu? Retribui imediatamente e quase simultaneamente o sorriso. Era Roberta. Aaah, quem a conhece, sabe. Impossível não sorrir para ela.

A sessão acabou. Fui encontrar Déborah, minha amiga de infância do início desta história, e toda a turma na Tenda Principal. Queria contar que as cores daquele bar haviam mudado. Queria saber do filme e o que aconteceria no decorrer daquela noite encantadoramente chuvosa. Amigos reunidos. Déborah iria apresentar a todos, a personagem principal de suas histórias de Juiz de Fora. Incrível perceber que os encontros que acontecem em nossas vidas nos fazem sorrir de graça e até mesmo fora de hora. A amiga tão querida de Déborah, era Beta, a menina que me sorriu do lado de lá do balcão.

Foi assim que nossa história começou. Ríamos disso sempre que nos encontrávamos. O sorriso. O olhar. A blusa verde. Tiradentes. E todos os anos que estariam por vir. As histórias? Continuaram. Déborah contava as suas. Beta, descrevia em forma de crônicas e poesia tudo o que ela secretamente escrevia. Não me esqueço. No meio da noite. Em qualquer lugar. Ela contava histórias. Eu perguntava: -“quando isso aconteceu?” e ela me respondia: -“não aconteceu, eu escrevi!”.

Pelo sorriso. Pelas histórias. Hoje eu escrevo [registro] o início de nossa história. Para ela.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Feliz 2010



"Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar

Mas tinha que respirar

Debaixo dágua se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar

Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar

Mas tinha que respirar

Debaixo dágua ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar

Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia

Debaixo dágua protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar

Mas tinha que respirar

Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar

Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia"

(Arnaldo Antunes)