terça-feira, 27 de abril de 2010

da minha janela

Quando eu era pequena eu via a morte passando pela minha janela. A morte nunca era do meu tamanho. Talvez por isso ela nunca tenha se aproximado naquela época. Ela sempre visitava as casas que ficavam ao lado da minha. Eu via as janelas vizinhas se fechando cada vez que ela chegava. A dor era sempre do outro. Não minha. Eu, com os pés pequenos, olhava para cima e via minha mãe. De cabelos longos, maiores dos que de agora. Sorriso laaargo. A felicidade fazia fartura no seu corpo. Ao lado dela, mulheres de cabelos acinzentados e de sorrisos mais desconfiados. Eu fazia as contas e tinha toda a certeza do mundo: se a morte seguisse a risca a ordem cronológica do tempo, ela demoraria para chegar. Para minha mãe. E quem sabe? Para mim, criança pequena, que já tinha medo do fim.

Hoje vejo que a morte está à nossa frente. Ela é como um espelho. Se você olha fundo dentro dele. Dentro dos seus próprios olhos, verá o medo de não mais existir. E quando você não conseguir mais enxergar seu reflexo, é porque a morte já aconteceu. Sim, de alguma forma ela já aconteceu.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SIM de Clarice

"Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou". Clarice Lispector.

moi je serai toujours chez toi

terça-feira, 6 de abril de 2010

"Pertencia àquela espécie de gente que mergulha nas coisas às vezes sem saber por que, não sei se na esperança de decifrá-las ou se apenas pelo prazer de mergulhar…" Caio Fernando Abreu.