terça-feira, 14 de abril de 2015

O TEMPO E O MUNDO


O tempo que reclama a falta de pausa entre os ponteiros que ponderam seus sonhos e suavizam sua angústia, não voltará. Olhe adiante, o horizonte, o vento nas folhas, o picolé de uva que seu pai comprou pra você, nada disso estará no mesmo lugar. Aquela barba de seu pai, antes tão moderna, perdeu sua cor, e a pele do braço de sua mãe ficou mais macia que o travesseiro de macela. Tem medo do envelhecer de quem te apresentou o mundo? Observe seu reflexo e veja dentro de seus próprios olhos: o tempo é implacável e avassalador e o mundo é muito mais duro do que te apresentaram. As oportunidades passeiam à sua frente e ficam ao seu alcance o tempo suficiente para serem degustadas, senão vão-se elas procurar outro interlocutor esperto, aberto, capaz, faminto de vida. Reclama-me desta vida que você mesmo escolheu ter e eu, Mundo, permaneço abundante pra ti! Reclama de quê se eu instigo e provoco teu calor e tua pulsação aqui no meu solo, onde um dia você se despedirá do seu tempo na terra? Coma-me, devora-me, que sou tua vida-tempo-templo-casa e oportunidade. Não sabe onde amanhecerá amanhã, por mais seguro de tua vida que seja. Mistura-se então com a natureza e se sinta poderoso e potente como eu te concedi e seja também grato, humilde e feliz. Porque é no exato momento que você age e gira e multiplica, que eu, Mundo, te agradeço e aplaudo. Ser-te tu mesmo e sem querer ser diferente porque você veio como escolheu. Portanto, aproveite sua escolha porque igual e idêntico não virá mais.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A CENA DOS NOSSOS DIAS


Dia após dias corremos, saímos de cena e tentamos nos reinventar! Para começar uma outra vez. Tem sido assim todas as noites. Saímos de cena durante o nosso sono para nos reconectar ou, para os mais pragmáticos, para descansar. Nesta pausa noturna tentamos ainda que inconscientes nos reinventar. Reinventar nosso fôlego, nossas células, nossa força. Aquela força da vontade, lembra? Um novo sorriso ainda que venha com algum esforço. Um plano inédito! Uma nova meta e sempre mais um questionamento que nos coloque em risco. Sim! Tudo isso para nos preparar e entrar uma outra vez em cena. A cena do nosso novo dia. Aquela que começa no quarto, com os pés no chão. Passa pela porta, a janela aberta. O café e a sala de estar. O abraço da mãe. Do filho. A rua. Esquinas. Carros. Preços. Trânsito. O escritório. A sala de ensaio. Como? Temos tempo para ensaiar esta nossa trajetória? Temos? Tempo? Qual o percurso dos seus dias? Dos nossos dias? Nós corremos. Saímos de cena e tentamos nos reinventar. Para começar uma outra vez. Todos os dias. Todos os anos... e então eu penso que (...) , ah! Eu só penso. Que... um outro. Outro dia, talvez?! Possamos...