quinta-feira, 25 de março de 2010
desrespeitam BH radicalmente
"Eleições municipais de 2008. Em Belo Horizonte, os candidatos inspiram mais vergonha alheia do que qualquer outra coisa. Faltam projetos, sobra lavação de roupa suja na mídia. As eleições, no entanto, não são canceladas por falta de bons candidatos.Talvez justamente por isso, dois anos mais tarde, na administração de um dos cadidatos que não era bom o suficiente, a edição de 2010 do FIT - Festival Internacional de Teatro - tenha sido cancelada. Por não haver um número significativo de boas montagens, dizem. Duvido. O Festival de Curitiba, por exemplo, está acontecendo neste exato instante. E há dezenas de peças que parecem interessantíssimas em sua programação. As companhias nacionais de teatro reservam espaço em suas agendas para participar do melhor festival do país. Este ano, 918 projetos se increveram. 918!
Além disso, festivais têm por objetivo refletir a produção artística contemporânea. Não tem essa do nível de qualidade do FIT estar acima do nível do teatro contemporâneo.
Thaís Pimentel, presidente da Fundação Municipal de Cultura, deu outros dois motivos para o cancelamento desta edição do FIT: o fato de estar prevista para o mesmo ano em que ocorrem as eleições presidenciais e a Copa do Mundo. Ora, deveriam ter pensado sobre isso ANTES de lançar o edital. Sabe-se que 2010 é ano de Copa e de eleição bem antes de se saber que é, também, ano de FIT. Além disso, o evento estava programado para acontecer de 05 a 15 de agosto: quase um mês após a final da Copa do Mundo (11 de julho) e quase dois meses antes das eleições (03 de outubro).
Aos poucos, a prefeitura sufoca a cultura de Belo Horizonte. Já diminuiu as verbas para as leis municipais de incentivo à cultura; o prefeito Márcio Lacerda assinou um decreto proibindo a realização de eventos de qualquer natureza na Praça da Estação, que tinha sido reformada justamente para poder abrigar eventos.
A polícia aparece em toda Praia da Estação, nosso protesto contra o decreto, mas os chefões, sem o menor problema, fazem lá a largada da meia maratona da Linha Verde.
Enquanto isso, somos bombardeados por propagandas “Eu amo BH radicalmente”, como se estivesse tudo bem por aqui. Bem, é o que querem? Amemos BH, então: exijamos respeito para com a nossa cidade, para conosco. Radicalmente! Sem aceitar derrota, deixando bem claro que a cidade é de quem a habita. De quem a vive dia-a-dia.
Amanhã, panelaço na frente da Fundação Municipal de Cultura, a partir das 10h da manhã.
Na Câmara Municipal, Audiência Pública sobre a utilização da Praça da Estação.
Todo sábado, Praia da Estação.
E, se a Fundação de Cultura não voltar atrás sobre o FIT, que tal fazermos o nosso FIT - Festival Independente de Teatro? Na Praça da Estação!"
De Marili de Souza.
segunda-feira, 22 de março de 2010
domingo, 21 de março de 2010
jogo literário
Ela gostava de andar com os pés descalços. Tocar gaita. Ok! Confesso, ainda estava aprendendo. Ouvir LPs em sua vitrola antiga, que tinha acabado de comprar. Tomar sorvete de vez em quando. Dormir com a janela aberta. Nadar escutando música. Rezar dentro da água do mar. Andar sem se arrumar. Era desatenta muitas, inúmeras vezes. Mas dirigia como ninguém! Dormia tarde. E adorava ver o tempo passar devagar.
Mas para chegar a este ponto, de viver assim. Levou tempo. Tempo. Muito tempo. Quase 29 anos. E como era prazeroso soletrar seus vinte e nove anos.
Você já a conhece um pouquinho. E conhecendo assim, pode até tentar adivinhar o que vem a seguir. Ela demorou para construir sua história desta maneira. Sossegada. Inteira. E às vezes muito pela metade.
Era noite. Tinha acabado de pintar a parede de sua sala de vermelho intenso. Tinha sujado todo o chão branco da sala. O relógio em cima do balcão revelava poucos minutos para às dez da noite. Alguém toca a campanhia. Sua melhor amiga entra. O ano começava novinho em folha. Uma agenda nova e uma foto. Presente dela. O telefone toca. Convite para uma festa. Pés descalços. Mãos vermelhas de tinta. Malas prontas para viajar cedo. Estrada. Carro. Nada disso combina com festa. Mas ela foi. Acompanhada pela amiga.
Parece que o destino marca alguns compromissos fora de hora em nossas vidas. Uma festa inesperada. Ônibus atrasado. Chuva no meio da madrugada. Qualquer coisa que não seja programada ou pré estabelecida por nossas idéias - Aaah! Idéias - de querer sempre estabelecer o que está por vir.
Ela estava na festa. Sem muito saber o por que de estar ali. Conhecia novas pessoas. Ainda não tinha feito um ano sequer que ela morava naquela cidade grande de litoral. Era uma noite agitada. Festa. Música. Fotos. Muitas fotos. Perucas coloridas. Bebidas. Pouca luz. Ela? Sossegada. Não olhava muito ao redor. Observava de mansinho o desenho das histórias de quem estava sentado com ela, ali, na mesa. Mas, como é mesmo? Não programamos muito o que está por vir:
Uma revelação da amiga faz com que ela olhe para o lado. Ao desviar sua atenção. Ai. Sua atenção. Era como se seus olhos descobrissem uma nova forma de se relacionar com tudo à sua volta.
Sim. Ela gostava de andar com os pés descalços e tocar gaita. O que você não sabe é que naquela noite sua vida mudou. O motivo eu ainda não posso revelar aqui. Mas se você já a conhece um pouquinho, talvez possa ajudar. Ela anda procurando uma nova cor para pintar a parede de sua sala. Quer descobrir o que desmancha palavras escritas com lápis de cor no teto. O que faz para desaprender a fumar. (Ela fumava?) Talvez, você, caro leitor. Possa ajudá-la. Ela anda procurando como se faz para esquecer letras de músicas que sabe de cor. Quer conhecer novos discos de vinil. Quer tocar ne me quitte pas na gaita. E como apaga uma imagem refletida no espelho. O que aconteceu com ela nesta festa!? Nossa! Ela ainda não me deixou escrever. Sou apenas observador de sua história. Por isso venho intervir! Me ajude, leitor! Você é parceiro de minhas escritas e já sabe a cor preferida dela. Talvez assim você consiga desvendar este mistério. Tirá-la um pouco de casa. Deixar as ondas do mar um pouco mais suaves. Inventar novas canções para cantar de cor. E sim, descobrir como apagar as palavras de amor da parede de sua casa....
Mas para chegar a este ponto, de viver assim. Levou tempo. Tempo. Muito tempo. Quase 29 anos. E como era prazeroso soletrar seus vinte e nove anos.
Você já a conhece um pouquinho. E conhecendo assim, pode até tentar adivinhar o que vem a seguir. Ela demorou para construir sua história desta maneira. Sossegada. Inteira. E às vezes muito pela metade.
Era noite. Tinha acabado de pintar a parede de sua sala de vermelho intenso. Tinha sujado todo o chão branco da sala. O relógio em cima do balcão revelava poucos minutos para às dez da noite. Alguém toca a campanhia. Sua melhor amiga entra. O ano começava novinho em folha. Uma agenda nova e uma foto. Presente dela. O telefone toca. Convite para uma festa. Pés descalços. Mãos vermelhas de tinta. Malas prontas para viajar cedo. Estrada. Carro. Nada disso combina com festa. Mas ela foi. Acompanhada pela amiga.
Parece que o destino marca alguns compromissos fora de hora em nossas vidas. Uma festa inesperada. Ônibus atrasado. Chuva no meio da madrugada. Qualquer coisa que não seja programada ou pré estabelecida por nossas idéias - Aaah! Idéias - de querer sempre estabelecer o que está por vir.
Ela estava na festa. Sem muito saber o por que de estar ali. Conhecia novas pessoas. Ainda não tinha feito um ano sequer que ela morava naquela cidade grande de litoral. Era uma noite agitada. Festa. Música. Fotos. Muitas fotos. Perucas coloridas. Bebidas. Pouca luz. Ela? Sossegada. Não olhava muito ao redor. Observava de mansinho o desenho das histórias de quem estava sentado com ela, ali, na mesa. Mas, como é mesmo? Não programamos muito o que está por vir:
Uma revelação da amiga faz com que ela olhe para o lado. Ao desviar sua atenção. Ai. Sua atenção. Era como se seus olhos descobrissem uma nova forma de se relacionar com tudo à sua volta.
Sim. Ela gostava de andar com os pés descalços e tocar gaita. O que você não sabe é que naquela noite sua vida mudou. O motivo eu ainda não posso revelar aqui. Mas se você já a conhece um pouquinho, talvez possa ajudar. Ela anda procurando uma nova cor para pintar a parede de sua sala. Quer descobrir o que desmancha palavras escritas com lápis de cor no teto. O que faz para desaprender a fumar. (Ela fumava?) Talvez, você, caro leitor. Possa ajudá-la. Ela anda procurando como se faz para esquecer letras de músicas que sabe de cor. Quer conhecer novos discos de vinil. Quer tocar ne me quitte pas na gaita. E como apaga uma imagem refletida no espelho. O que aconteceu com ela nesta festa!? Nossa! Ela ainda não me deixou escrever. Sou apenas observador de sua história. Por isso venho intervir! Me ajude, leitor! Você é parceiro de minhas escritas e já sabe a cor preferida dela. Talvez assim você consiga desvendar este mistério. Tirá-la um pouco de casa. Deixar as ondas do mar um pouco mais suaves. Inventar novas canções para cantar de cor. E sim, descobrir como apagar as palavras de amor da parede de sua casa....
quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
doce e cortante
Acordei. O espelho novinho em folha da minha cabeceira caiu sobre meu travesseiro. Macio. Lembrei imediatamente de minha amiga Grace Passô. Em seu texto ela conta a história do pé de abacate plantado no quintal de sua casa, e fala de sua vontade de colocar colchões largos em volta do pé para que os abacates caíssem sem medo. Grace queria a natureza mais doce. Um espelho caindo sobre meu travesseiro também “espanca doce” o amanhecer do meu dia. Espelho reflete. Espelho corta. Espelho quebra. Espelho multiplica. Mas nesta manhã ela apenas me acordou. Quarto azul. Rio de Janeiro. Março. Chuva. Frio. Sim, frio no meu quarto do Rio. Depois de tanto tempo: agora estou sozinha aqui. Com este amanhecer bruscamente doce. Peguei super bonder para colar o espelho na parede azul da minha cabeceira. Sexy? Não. Minha intenção é apenas feminina e poética. Preciso olhar atenta para tudo à minha volta no início dos meus quase 29 anos. É sempre um horror usar essa cola contemporânea. De volta à parede, olhei meu rosto inchado no espelho e passei as pontas dos dedos no canto de um sorriso que começava a surgir. Pronto! Meus dedos ficaram presos! Colados! Grudados no meu sorriso. Agora estático. Um sorriso colado. Logo no amanhecer deste dia. Quem me obriga a sorrir? Logo hoje, dia 3 do mês 3. Há um mês meu coração feliz anunciava nada tímido a chegada de um novo amor. Hoje aqui estou. Sozinha. Inteira. Olhando meu sorriso colado na frente do espelho. Levanto da cama com meus dedos ocupados neste lirismo facial. Faria qualquer amigo que costuma acordar comigo, morrer de rir. Mas agora sozinha não tive com quem compartilhar esta minha tentativa inconsciente de ser feliz. Caminho até o banheiro. Água quente para dilatar e aquecer. Quentinho. Isso me lembra alguma coisa. Mas fica para depois. Meus dedos descolados do antigo sorriso me fazem rir da dor. O espelho. O travesseiro. O sono. O espelho poderia ter caído cortante sobre meus sonhos. Alguma coisa me protege. Sempre tive essa certeza. O “espancar doce” deste amanhecer me faz acreditar que tudo está como deveria. Começo o dia com um sorriso colocado no rosto. Água. Nada de maçã! Café bem quente. Acho que agora eu começo a entender como lidar com a queda inevitável do espelho. Deixar cair é a melhor opção. Se a queda será macia. Suave. Cortante. Ah! Isso sim será sempre uma escolha nossa.
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