terça-feira, 26 de maio de 2009
inteira na minha solidão
Faltavam poucos dias para o ano começar. Eu me lembro bem. Quase não dava para acreditar. Meus olhos embaçados não enxergavam sequer a densidade da chuva que sempre constrói o cenário de Belo Horizonte no mês de dezembro. Eu estava inteira na minha dor. Era a primeira de tantas despedidas desta época da minha vida. Mas é mais ou menos assim que acontece. Uma vez uma pessoa muito sábia que conheci me disse que temos que viver a dor por inteiro. Assim como vivemos a felicidade. Temos que aceitar a dor. Eu aceitei. Lembro do trajeto que fazia do meu quarto até a varanda da minha casa. Era tudo o que conseguia caminhar. Foi assim nos primeiros dias. Quase não conseguia respirar. Seguia. Pegava o carro a qualquer hora do dia só para sentir a água fria da cachoeira caindo pesada em meus ombros. Reinventei minhas conexões e minha fé. Mas como tudo na vida acontece dessa forma, aquela mesma varanda alguns meses depois virou cenário de um (re) encontro com tantos amigos que há muito deixara de lado. Meus finais de semana eram curtos tamanha minha vontade de viajar. Apareceram trabalhos. Passeios. Encontros. Conheci novos lugares. Outras praias. Escutei novos sotaques. A vida brinca um pouco com nossa dor. Coloca em cheque. Provoca. Coloca à prova. Dá de bandeja milhões de possibilidades e brincadeiras só pra nos distrair. Então mudei de casa. Troquei os pneus do carro. Comprei uma nova cama para meu quarto. Mudei minha forma de me relacionar com o mundo. Aprendi uma nova maneira de amar. Sim. Escorreguei. Perdi as contas de quantas vezes me entreguei. Confesso que até tentei amar mais uma vez. Ganhei uma bicicleta de alguém que nem me conhece. Colori as paredes da minha casa. Mas (!) e daí?! Quer saber? Amanhã vou acordar cedo para andar de bicicleta no Aterro. Bobagem? Não é, não! Vou fazer isso porque não adianta. Nada adianta. Decidi mergulhar inteira na minha solidão. Daí tanto faz. Cores. Amigos. Amores. Eu tenho que ficar só. Só assim vou entender porque naquele dia, no mês de dezembro, eu não consegui enxergar a densidade da chuva quando ele, sim, o meu amor, se foi. Ah! Sim. Como isso ainda me dói.
sábado, 23 de maio de 2009
Caio Fernando Abreu
depois de 5 meses o que eu poderia te dizer:
"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando."
"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando."
domingo, 10 de maio de 2009
saudade
Despertar. Um copo de água. Uma maçã. Repito quase sempre as mesmas partituras. Todos os dias. Cada uma povoada de novas inspirações. Tento alongar todas as partes do meu corpo. Dilatar todos os espaços vazios. Do lado de cá não faz frio. A paisagem continua no mesmo lugar. As folhas de macela perfumaram todo o quarto. Os livros se misturaram na estante. Os dias parecem mais longos. Mais curtos. Como pode ser assim? Procuro seus olhos na linha do horizonte. Aposto que do lado de lá seus movimentos misturam as cores de toda a Turquia e da Grécia. Se esta saudade imensa ficou maior que toda a Anatolia, a Tracia, a Asia Menor, (ai) o que posso dizer? Apenas registro que do lado de cá os meus dias se repentem e se renovam felizes à cada lembrança que ele me traz.
sábado, 9 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
em cartaz

"Esquecer é também perdoar o que não seria perdoado se a justiça e a liberdade prevalecerem (...) Esquecer o sofrimento passado é perdoar as forças que o causaram. Contra essa rendição ao tempo, o reinvestimento da recordação em seus direitos, como um veículo de libertação é uma das mais nobres tarefas do pensamento" (Eros e Civilização - Herbert Marcuse)
O espetáculo? Uma menina negra que viveu num engenho de açúcar no fim da escravidão. Um vela. Uma boneca. Grãos de café. Um fantasma que ainda atormenta a Casa-Grande, a "casa de açúcar" como ela gosta de chamar. O público? Não tira os olhos da negrinha durante cada segundo do espetáculo. Só fecha os olhos quando não há luz. Mas enxerga atento todo o gosto desta história.
Espetáculo criado por Luiz Fernando Marques
Renato Bolelli Rebouças
Sara Antunes
ai (!) menino
"Veio até mim
Quem deixou
Me olhar assim
Não pediu
Minha permissão
Não pude evitar
Tirou meu ar
Fiquei sem chão...
Menino bonito
Menino bonito, ai!
Ai menino bonito
Menino bonito, ai!...
É tudo o que eu posso
Lhe adiantar
O que é um beijo
Se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem prá roda
Da Malemolência..."
Quem deixou
Me olhar assim
Não pediu
Minha permissão
Não pude evitar
Tirou meu ar
Fiquei sem chão...
Menino bonito
Menino bonito, ai!
Ai menino bonito
Menino bonito, ai!...
É tudo o que eu posso
Lhe adiantar
O que é um beijo
Se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem prá roda
Da Malemolência..."
sábado, 2 de maio de 2009
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