segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

sagrado

E mais um pequeno intervalo de noite transformou-se em madrugada. Depois de já decifrada a freqüência de sua pulsação (lembra?), povoou com toques açucarados os seus mistérios. Tinha até se esquecido que era a textura densa de sua pele que revelava o seu tipo sanguíneo. Vinte e um dias. Apenas. E aqueles olhos místicos descobriam do lado de fora tudo o que ela tinha por dentro e sequer percebia. Essa estrutura óssea angulosa e seus limites. Limites? Suas ações tão femininas e delicadas. Sua sensualidade deflagrada.

Aquele olhar a conduzia para um lugar extremamente desconhecido. Denso. Submerso. Entrava silenciosamente em outro estado.

E então o pequeno intervalo de madrugada transformou-se em uma manhã de sábado ensolarado. Ela ainda não sabia que todas suas ações ficariam registradas no universo. - "Então é desta forma que o mundo é conduzido?"

Era a primeira vez que, enfim, entrava em contato com tudo o que (nossa!) realmente acreditava. A linha do horizonte. Estar livre diante do mundo. E quem diria (!) uma madrugada transformando-se em um encontro doce e familiar. Aqueles olhos, que a acompanharam desde aquele pequeno início de noite, agora a conduziam para uma partilha nunca antes tocada.

...

O entardecer chegava enfim com a estrada correndo diante de seus olhos. O cinto de segurança estragado. O carro acelerado entre as curvas daquela floresta. – “E como será entrar lá dentro?”. Tudo ainda era desconhecido e misterioso. Não importa! Ela estava ali. Inteira. E ao perceber aquelas mãos abençoando seu corpo na água fria teve a leve sensação de que todo o seu percurso até ali fazia sentido.

carnaval

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

andando de bicicleta. . .




Olho para um lado. Olho para o outro. Quando sei que posso seguir em frente não penso duas vezes antes de continuar. Basta ter a leve sensação do que quero, vou em busca. Mesmo. Não desisto fácil. E muito menos deixo de assumir o que sinto. Gosto de correr a favor da velocidade.. ando mais rápido assim. Mas tem sido fundamental lutar contra a gravidade. Dessa forma, correndo risco, torna-se necessário acertar.

Gosto de conhecer lugares novos. Onde ninguém me conhece. Andar no meio da multidão. Sozinha. Assim. Com os meus sonhos. Parar. Olhar de novo para um lado. Para o outro. Perceber que há outros caminhos. Outras possibilidades. Aceitar que muitas vezes erro e que não consigo nunca foi uma dificuldade. Por isso é tão prazeroso perceber que estou na estrada certa. Mesmo devagar. Pressa não é comigo. Gosto é de andar em alta velocidade. Percebe a diferença? Saber que logo à frente pode acontecer muito do que sonho. Saber que isso é escolha minha. Ter a consciência de que se eu continuar andando, vou me tornar mais ágil, responder melhor a imprevistos e não correr tanto o risco de ser atropelada.

Depois, voltar pra casa. De onde vim e onde tudo começou. Pessoas que amo. O que é essencial para mim. Só assim consigo continuar. Em seguida: olhar de novo pros dois lados.. às vezes até me esquecer de fazer isso.. e correr o risco de andar entre milhares de pessoas que muitas vezes nem olham ao seu redor.


(Aahh. . . enfim, sinto-me assim!)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

palpável

às vezes quando não enxergamos,
as coisas lindas
são completamente diferentes
do que de fato são.

e não menos lindas.

ainda espero o dia
de tirarmos esta venda
para tocarmos com olhos possíveis
o nosso amor
e a nossa história.

Esse dia ainda nascerá.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

para meeu amooor

é preciso apenas uma pausa
tocar por um instante o tempo da delicadeza
e a saudade se refaz
(palpável tangível)
de tudo aquilo que é
e para sempre será
sagrado
e parte inteira
do que somos


Para você.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

madrugada

Ele nem esperava que ela fosse descobrir com apenas um toque a freqüência de sua pulsação. Aqueles olhos então descobriram o seu tipo sanguíneo. E com essa descoberta destampou suas pernas, seus signos, seu desejo e aquela vontade inegável e intangível de dentro. Ele nem lembrava mais que a poesia de uma quinta-feira de manhã transformava-se quase sempre num ritmo doce e acelerado quando entrava em contato com a repetição cotidiana. Mas tudo bem, afinal de contas as nuvens continuavam no céu e poderia ser que (de repente!) a chuva começasse de novo. Belo Horizonte. Fevereiro. Sempre tem chuva. Mas há quem acredite que a melhor parte desta época do ano é e sempre será cada pequeno intervalo de noite transformando-se em madrugada.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

entrega

.



Daqui de cima,
onde guardo o meu orgulho e as minhas verdades,
eu me jogo em queda livre nos braços da incerteza.
Na coragem de um só fôlego,
aspiro a insanidade e
caio de peito aberto.
Caio e mergulho na esperança.
Caio e me entrego.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

ser

Vim ao mundo para ser e sentir. Já meus pensamentos me trazem a razão. Por isso ando procurando um entendimento deste paradoxo. Então decido poetizar a vida. Sou um ser extremamente livre. Curioso. Entregue. Fiel. Gosto de leveza e não me encaixo em regras. Não gosto de extremos. Opto pelo simples. Pelo bom gosto. Pelo melhor do humor. Vejo a vida do ponto mais alto do universo. Gosto de detalhes, mas às vezes me distraio com o grande. Prefiro olhar pro mundo sempre de forma mais doce. Procuro pureza e estética na repetição cotidiana. Gosto de olhar para o outro. Mas algumas vezes escuto pouco. Esqueço de olhar até para dentro de mim. Mas ao saber disso percebo-me atenta. E por isso tudo procuro sempre ser melhor. Gosto de agradecer a Deus por todas as coisas. Afinal de contas sou uma pessoa de sorte e muito feliz.