quinta-feira, 28 de abril de 2011

ENTRENCONTROS


Um apartamento. Grande. Vazio.

Seis personagens se encontram pela primeira vez neste espaço, onde irão morar juntos. Três mulheres. Três homens. Todos de lugares diferentes. São seis jovens que decidiram mudar a rota de suas vidas. Mudam de cidade. Cada um com sua história. Cada um iniciando um momento de transformação.

O espaço começa a ser desenhado a partir da entrada de cada personagem, com as histórias e objetos trazidos por eles. A narrativa também será construída desta forma.

O que move o espetáculo: o encontro.

Como um espaço vazio pode ser preenchido e transformado a partir de vários encontros em nossas vidas? Um espaço que será construído mas pode ser desconstruído a qualquer momento. É este o lugar de risco que envolve os personagens.

VISITE O BLOG: http://entrencontros.blogspot.com/

Vídeo ENTRENCONTROS



No primeiro encontro, cada integrante de ENTRENCONTROS levou o que pudesse representá-lo neste momento de sua vida. A atriz Mariana Coutinho, levou um texto para cada integrante-personagem. Neste vídeo, a figurinista Tati Brescia lê o texto dedicado à ela, JANELA ABERTA.

superfície da terra

então o que você esperava de mim? Que eu deixasse escorrer sobre a superfície todas aquelas suas palavras do primeiro encontro? Eu sei, sou aparentemente intocável, e trago uma certa arrogância nesta minha postura séria, este meu jeito de dizer "não" querendo dizer "sim". Como eu fiz tantas vezes com você. Mas é aparência. Você viu de perto. Então me diz, você acha mesmo que dois meses não são nada? De fato, dois meses perto de três anos. Ou seis anos. De fato, não são suficientes para... para quê mesmo? Mas são os primeiros meses, e esta contagem inicial de qualquer encontro é o que define o que está por vir. Aaahh... então você esperava que eu deixasse escorrer sobre a minha superfície tudo aquilo que você provocou de mansinho em mim? Não, não. Sou profunda demais pra isso. Complexa demais pra isso. Meu olhar engole todos os detalhes à minha volta. Nada passa desapercebido. Dois meses que começaram com o novo ano. No ponto mais alto da minha cidade preferida. Dois meses compartilhados com milhões de amigos, família, cachorro, cartas, fotos, festas, aniversário, silêncio, quedas e você acha ainda que eu deixaria escorrer tudo isso sobre a minha superfície? Me diz! Me responde? Não. Eu não deixei escorrer. Tudo o que vivemos encharcou toda a minha respiração. Sem dor, vai! Tá tudo bem. A cortina batendo de mansinho na janela. O sol gritando lá fora. O cachorrinho preto latindo de manhã. A rede esquecida na varanda. Horas e horas de trabalho, projetos, criações, escritos, corridas, encontros com os amigos, viagem de madrugada, contratos, colo de mãe, chuva, tudo isso preenchendo aquele tempo dilatado que nós vivíamos só para... para quê mesmo? Para o quanto que queríamos de nós. Tá tudo bem, tudo isso faz com que tudo o que vivemos pareça (Ah!) distante. Está tudo certo. Minha respiração já não está tão ofegante assim. Mas não me deixe ver o seu nome na chamada do meu celular ou uma foto sua esquecida por aqui que... eu voltarei a te perguntar se... você acha mesmo que eu deixaria escorrer sobre minha superfície tudo o que eu sonhei com você?


Estou encharcada de você.

domingo, 24 de abril de 2011

I believe

"I don't believe in promise. I don't believe in chance. I don't believe you can resist the things that make no sense. I don't believe reality would bethe way it should. But I believe in fantasy the future's understood."