sexta-feira, 20 de março de 2009
saudade sensorial
Minha saudade de você é toda e inteiramente sensorial. Penso em escrever-te cartas, mensagens, postais. Penso em fazer para você fotos dos meus passos. Pensamentos. Vistas. Janelas. Mas não sei se o carteiro chegaria em boa hora. Pode ser que ele se atrase um pouquinho e você esteja se arrumando apressadamente para encontrar o seu novo amor. Pode ser que você esteja dormindo profundamente. Pode ser que o carteiro chegue adiantado e te pegue saindo para o trabalho à procura de concentração. Por isso calo-me. Registro meus gestos e minhas ações na escuridão da noite. Guardo cada pedaço de mim e da minha nova história para dividir com você em um outro tempo. Minha saudade é tanta e tão sensorial que sinto o cheiro de quando você sonhava. Sinto o gosto da textura. A dor do abraço. Penso em escrever-te poemas, músicas, versos. Escrever na areia um pedaço da nossa história. Mas ela já foi registrada. Guardada. Bem cuidada. Minha saudade de você é tanta e ainda assim, eu só vejo um pedido de fim. Fim? Tento tocar em vão aquela sensação contruída pelo nosso encontro. Nunca conseguirei tocar sem você. Penso em escrever-te tratados, contratos, pedidos, roteiros. Mas outra vez enxergo pausa. Pausa para que eu possa decorar meus textos. Pausa para que você não se desequilibre na corda bamba. Minha saudade é tanta que misturo boa parte do que fui e do que sou agora. Mesmo assim você está aqui, rezando para que nada de mal me aconteça. Então recolho minhas linhas, meus verbos, meus queros e toda minha invenção. Apago o endereço do postal para que o carteiro não chegue sem hora marcada: na escolha do vinho tinto. Na criação do projeto. No meio do jantar. Ah! Pausa. Por favor. Para que eu não me perca no trânsito. Não me afogue no mar. Não adormeça antes da hora. Mesmo assim. Minha saudade de você é tanta e tão sensorial que ainda sinto o sabor do seu folêgo. Sim, minha saudade de você é tanta que só tenho coragem de seguir.
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