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Quando criança não vivia sem a minha boneca. Não podia perdê-la de vista. Não brincava, não almoçava, nem jantava sem tê-la por perto. Quando ia dormir, não deitava sem primeiro acomodá-la ao meu lado.
Cresci. E hoje eu percebo que, desde pequena, procurava companhia. Procurava colo, aconchego, estar-ter e cuidar de alguém. Agora, percebo-me sozinha. Absolutamente. Estranhamente – estranhando essa minha percepção. Minha boneca? Está guardada dentro de uma caixa dourada, amarrada com os laços grandes de uma fita vermelha. Está num cantinho do meu armário. Minha boneca: de pano, com seus quase 18 anos – e de face bonita e encardida. Revela-me só agora – Meu Deus! – um sorriso melancólico e estático, que não sustenta mais a minha solidão. A solidão dos meus 21 anos.
E continuo o meu caminho – o de todos nós: só.
Continuo. Sem minha boneca desta vez. Apenas sozinha – pacientemente e eternamente. E são somente meus: os seus sonhos, meu medo, meu amor e a minha paixão. Dividi-los com uma boneca de pano? Talvez. Mas ela poderia – apenas – me escutar. E escutaria?
2 comentários:
precisamos todas das nossas bonecas de infância...dos nossos amores e paixões.
passeando cai aqui e gostei deveras.
convido-te para um chá no meu
http://ideianoar.blogspot.com/
abraços e poesia sempre
oi linda, adoro suas palavras e sua poesia.
linkei seu blog ao meu, ok? se quiser fazer o mesmo, ou pelo menos uma visita aí vai http://www.dutraraquel.blogspot.com/
beijos e saudades sempre
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