sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

dor do mundo

O mundo sente dor. Isso é fato comprovado e nada pessimista. Não, não, não é não! Cada um de vocês sentados aí comprova a dor do mundo. Mas se há dor......................................................... há prazer!

Outro dia eu estava dormindo num quarto, sozinha, em São Paulo. Eu não conheço quase nada em São Paulo! Eram mais ou menos seis horas da manhã do dia sete de dezembro de 2009. Chuva. Um gato sentia dor.

Dor pode ser qualquer coisa. Uma queda. A perda de um grande amor. Falta de dinheiro. Paralisia. Frio. Saudade. Carregar uma mochila de sete quilos durante horas. Desamparo. Sapatos apertados. Susto. Abandono.

A dor do gato me acordou.
A menina que dormia no quarto ao lado abriu a janela e gritou:
- Cala a boca!
Olhou para mim e perguntou por que eu não fazia o mesmo.

Eu? Sai do quarto à procura do gato. Da dor do gato. Debaixo de chuva.
Não o encontrei. Naquela hora tudo o que eu queria era diminuir a dor do mundo.

5 comentários:

Gisele Werneck disse...

Belo! Gostei demais da história do gato, dá um bom conto.

Julieta Dobbin disse...

Que linda. Como eu queria poder diminuir a dor do mundo que dói em mim. Ter um feitiço forte e rápido que apaga essa dor ao redor e essa dor em mim. Mas o único antídoto é seguir em frente. Com alegria e leveza, suavizando a dor do mundo, inspirando-se em borboletas e no azul.

Mariana Coutinho disse...

Há uma dor no mundo. E uma felicidade tbm. Dentro disso, as nossas escolhas!

Athenah disse...

Mariana, essa estória me tocou... Primeiro porque tinha um gato. E como sou apaixonada por gatos e cachorros, odeio saber que alguma coisa ruim que está acontecendo tenha relação com um ou com outro. E segundo porque às vezes paro e penso que no instante em que faço coisas simples tem gnt sofrendo pra kct em algum canto do mundo (assim como tbm tem sente rachando de felicidade). E a fala da garota do prédio mostra a nossa falta de sensibilidade e em como estamos virados pro nosso próprio umbigo enqto a dor está bate na porta ao lado. Ler seu texto me fez pensar nessas coisas de novo.
bjus

Carolina Duarte disse...

I can stop one heart from breaking,
I shall not live in vain;
If I can ease one life the aching,
Or cool one pain,
Or help one fainting robin
Unto his nest again,
I shall not live in vain.
Emily Dickinson (1830–86).

(E quem ta citando ela sou eu, Carol mãe da Júlia, ex-meio vizinha...Gostei muito do seu blog, Mariana...)