BH, uma noite qualquer em 2006
Acordo.
Segunda-feira.
Água. Água. Água.
Adoro água quando acordo. Água no rosto. No corpo. Nos olhos fechados. Água na boca. A letra daquele samba ainda está na cabeça. Vontade de tomar suco de laranja na taça.
Esqueço. Contas a pagar. Carta no correio. Ainda tenho vontade de chorar. O sol está forte. Café quente. Trânsito. Trabalho. Almoço. Pauta. Água. Computador. Engarrafamento. Escuto durante uma hora aquele cd dentro do carro.
Estou livre. LiVRE. LIVRE.
Vou para faculdade. Penso na aula de amanhã. Volto pra casa. Resenha pela madrugada. O telefone não vai tocar. Não desta vez. Eu? Sozinha. Não penso em ligar para ninguém. Não mais. Não desta vez. Escuto o silêncio. Esse vão tangível ardendo aqui dentro. Espero o tempo passar. Gasto horas no chuveiro. Quente. À noite gosto de água quente. Ando de calcinha pela casa com a certeza de que não experimentei todos os prazeres do mundo. Imagino. Penso. Gosto e gasto palavras lascivas no papel. Registro. Leio um email. Seguro a xícara de café. Quente. Espero um novo amor chegar. Novinho em folha. Mas bem que ele podia voltar numa hora em que meu coração não estivesse transbordando em mágoas. Bem que ele podia chegar naquela noite quente, quando a vontade de chorar terá passado. Passado? As rosas ainda intactas no jarro de água com gelo. Presente. O vinho guardado. Para o futuro. E eu neste momento andando de calcinha pela casa. Sozinha. Será que haveria um perdão para este coração? Abro a janela e imagino de que forma amanhecerá o dia. Tento adivinhar o seu gosto quando acorda. Imagino a textura do seu corpo durante a noite. Lembro da barba mal feita e sinto saudade. Não sei como é. Não sei como e de qual forma poderia ser. Ainda não sei o seu nome. Ando pela casa sozinha, agora, com uma garrafa de água na mão. Não quero outro gosto feminino além do meu. Seria possível? Imagino, então, como poderia ser o seu desejo da forma mais leve e densa. Será que tem jeito? Não sei. Volto pro computador. Resenha pela madrugada. Janela aberta. Teorias sobre cinema. Telefone mudo. Sei que será assim por muito tempo. Não quero mais. Estou livre. Não espero mais. Durmo sozinha na cama grande. Brinco com os meus sonhos. Continuo. Luz apagada. Três laudas bem escritas em cima da mesa. Companhia única e doce da Mel. E eu deitada na cama, esperando. O sono chegar.
4 comentários:
Isso parece cinema. Queria colocar uma camera na sala e uma máquina de escrever.
uau!
Você sempre escrevendo essas coisas maravilhosas e cheias de imagens.
Beijos,
Sono D'água
Just fly, bird girl! Love you! Love your words!
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