quinta-feira, 2 de junho de 2011

de dentro do ônibus

Estava sentada no ônibus e de repente uma percepção me assustou. Comecei a observar as pessoas que passavam pela roleta e pensei: - "eu nunca antes vi nenhuma delas!" Mas que susto, Meu Deus! Nenhuma delas! A todo instante eu vejo novas pessoas. E, ao mesmo tempo, sinto tê-las ao alcance de meus conhecimentos. Sinto já tê-las escutado e tocado. Não preciso delas. Ainda não. Dentro dali elas são apenas passageiras. Mas se ficarem por muito tempo farão falta. Deixarão vazio. E logo vão embora. Se eu continuar, chegarão outras e outras mais. Se eu olhar pela janela do ônibus, elas também estarão lá fora correndo atrás de um tempo que não perdoa. Elas estão por toda a parte e eu não as conheço. São como eu: são amigas, caridosas, carentes, criminosas, egoístas, generosas. São de todos os tipos e se misturam como se fossem cores. Eu não posso mais ficar parada, sentada ali. Alguém que conheço faz tempo, me espera em algum lugar e nem acredita quando eu chego em casa. Embora eu sinta que conheça todos, não conheço. Sei que preciso conhecê-los e desejar a todos, felicidades. Eles são interessantes. Mas são muitos. Isso me assusta: somos muitos. Então eu puxo a cordinha e desço correndo do ônibus para encontrar quem me conhece e espera por mim.

Um comentário:

Anônimo disse...

já tive essa mesma sensação...