terça-feira, 26 de julho de 2011
coisas invisíveis
Fragmento de texto extraído da peça "Coisas Invisíveis", Cia Clara de Teatro.
Voz: Mariana Coutinho
"– Oi. Sou eu. Já está tarde, foram todos dormir e fiquei aqui sozinho. Hoje você foi embora, nós nos despedimos, mas acho que não tive a oportunidade de dizer tudo o que eu queria, e por isso estou gravando essa fita. Talvez seja apenas uma forma de te sentir ainda por perto, mas na verdade o fato de você não estar aqui significa agora mais do que a sua presença significava antes. Porque com isso eu acho que começo a entender que as pessoas... como é que vou dizer? Que as pessoas não nasceram para realizar os meus planos de uma felicidade ensolarada, os meus projetos de um futuro pleno e perfeito, mas sim elas próprias têm seus sonhos à sua maneira. Aí eu fico pensando que o que vale mesmo é a forma como um sonho se encontra com o outro e o modifica, a maneira como as pessoas atravessam a vida das outras e as transformam, embora elas muitas vezes não saibam como isso acontece, ou quando, e por quê. E neste momento você deve estar pegando um ônibus, ou olhando as vitrines no saguão de um aeroporto, enquanto eu tô aqui buscando as palavras menos inadequadas para dizer que de alguma forma isso é a conclusão de uma história, o fechamento de um ciclo, para que tudo recomece nessa dança de encontros e desencontros... que chamamos de vida, ou realidade, ou o que quer que seja. Mas pode ser que você esteja sentindo isso também, e assim nós estamos unidos em torno desse sentimento. E eu poderia ficar falando a noite inteira só para manter essa sensação de um vínculo, de um pertencimento, de uma conciliação, mas não, acho que está na hora de deixar você, de deixar todos vocês irem embora em suas diversas direções. Ah, mas só mais uma coisa antes de terminar: é que, independente de nossos planos ideais realizarem-se ou não, nós vamos ser felizes. Talvez de uma maneira muito diferente da que tínhamos imaginado, sim, nós vamos ser felizes. Disso eu tenho certeza."
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
O invisível do óbvio.
Maravilhoso texto. Maravilhosa voz, maravilhoso tudo.
Cada respiro, cada tom e cada momento de cada mesma-imagem do video. lindo fundo musical. belos ruidos sonoros incorporados.
Postar um comentário